Confira a entrevista concedida pelo Presidente da ABRADILAN, Jony Sousa



O executivo da Distribuidora Emefarma (RJ), JONY ANDERSON TAVARES DE SOUSA, assume Presidência da Associação Brasileira dos Distribuidores de Laboratórios Nacionais (ABRADILAN) para a gestão 2013-2015. Formado em administração de empresas e pós-graduado em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), Tavares atua no setor farmacêutico há mais de 25 anos e terá como vice-presidente Francisco das Chagas Almeida Gomes, executivo da Distribuidora cearense Total Comércio.

Constituída em 1998, a ABRADILAN é formada por empresas distribuidoras de medicamentos, produtos para a saúde, artigos de higiene pessoal e cosméticos no mercado brasileiro. Com 127 associados, a associação tem como missão contribuir para o desenvolvimento e fortalecimento do mercado e de seus associados, promovendo a melhoria contínua e eficaz de seus serviços.

A entidade realiza todos os anos a tradicional Abradilan Farma & HPC. Em 2013, a 9ª edição do evento ocorreu no Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março e contou com 200 expositores. Recentemente, o Presidente conversou com o Guia da Farmácia sobre a expectativa da distribuição em relação ao mercado farmacêutico como um todo e revelou os principais desafios do setor, a qual republicamos com sua autorização a seguir. Confira:

ENTREVISTA

01) Os associados à Abradilan arrecadaram R$ 5,92 bilhões em 2012, movimentando 444 milhões em unidades. As empresas associadas registram um crescimento de 39% em faturamento e 29% em unidades, em relação ao ano anterior. O que estes resultados significam para o setor de distribuição no canal farma?
Mostram que estamos alinhados com as indústrias e próximos dos clientes. Esses resultados revelam também a importância e a força dos distribuidores regionais, filiados à Abradilan, para o setor farmacêutico.

02) Quais as expectativas de crescimento para 2013?
Mais da metade dos nossos associados acreditam em um crescimento de 21%.

03) Estimativas do setor revelam que o mercado tende a dobrar de tamanho até 2017. Como a distribuição se prepara para isso?
Investindo na ampliação dos Centros de Distribuição (CDs), na melhoria dos processos, na qualificação das equipes e nas parcerias com a indústria e no relacionamento com os clientes.

04) Quem é o principal responsável pela evolução do setor? Medicamentos ou produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPC)? Por quê?
Medicamentos, pois quando falamos em crescimento de mercado, estamos falando dos números do IMS Health, principal consultoria que audita o setor, e nesse caso falamos em medicamentos. Além disso, hoje esse é o core business dos associados da Abradilan, mas estamos avançando em HPC e produtos para a saúde e bem-estar, um segmento que também está em franco crescimento.

05) Quem distribuía só medicamentos passou a se especializar em HPC? Por que e de que forma?
Para aqueles que começaram a distribuir HPC acredito que enxergaram alguma oportunidade, e no canal farma existe um potencial enorme para as vendas desses produtos, já que o cliente não vai mais à farmácia e/ ou drogaria só para adquirir medicamentos, vai também para comprar artigos de higiene e outros correlatos.

06) Quais os principais desafios hoje da distribuição de medicamentos no Brasil?
O principal desafio é operar em um ambiente de alta carga tributária, além de uma complexa legislação, onde cada Estado tem sua regra estabelecida. Temos também as questões regulatórias, sendo preciso observar as exigências por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e dos órgãos sanitários regionais. A competição no setor também tem aumentado bastante, fazendo com que cada distribuidor tenha de se esforçar cada vez mais para oferecer diferenciais aos seus clientes.

07) Algumas distribuidoras têm terceirizado os serviços de logística, fato que, de acordo com varejistas, tem gerado atrasos no prazo de entrega. Por que isso acontece?
Quase todas as distribuidoras terceirizaram os serviços de entrega, e não entendemos que esse seja o motivo dos atrasos na entrega dos produtos, pois, tenha frota própria ou não, o risco de atraso pode existir de qualquer forma. Hoje, o trânsito é um fator que dificulta demais o nosso trabalho. No entanto, cabe ao gestor de cada empresa definir os critérios para contratação do parceiro que irá lhe prestar os serviços de logística.

08) Atualmente, o Brasil tem distribuidores suficientes para à demanda nacional?
Acreditamos que sim. Não temos o número exato, mas pelo que conhecemos do mercado entendemos que o número de distribuidores que estão em operação consegue dar conta de atender o mercado total.

09) Quais os principais investimentos das distribuidoras, hoje?
A previsão é de que 14% dos associados investirão na ampliação de CDs, 29,8% na qualificação da equipe, 47,4% na ampliação de CDs e também na qualificação da equipe, e somente 8,8% não pretendem realizar investimentos.

10) Quais as regiões mais bem abastecidas e as mais prejudicadas? Por quê?
Todas as regiões do Brasil são abastecidas de medicamentos. No entanto, pelo tamanho do mercado e de consumo, as regiões Sul e Sudeste predominam em volume de negócios.

11) De que forma a alta carga tributária dos medicamentos prejudica o canal?
Além da alta carga tributária que gira na casa dos 33,9%, nós temos que lidar com o excesso de burocracias, obrigações acessórias, e o amaranhado de leis e normas que dificultam o dia a dia das empresas, fazendo com que se aumente o seu custo operacional. Haja vista que é preciso manter um exército de pessoas somente para cuidar da área tributária da empresa, além de advogados, contadores, etc.

12) Como se dá a atuação nas grandes corporações e no pequeno varejo? Qual a principal diferença operacional?
As redes, além do grande poder de negociação, fazem negócios diretamente com os laboratórios e têm uma gestão mais profissionalizada, enquanto que as farmácias e drogarias de menor estrutura ou independentes dependem fundamentalmente da compra dos distribuidores, pois dispõem de pouco capital e têm maiores dificuldades gerenciais na operação do negócio.

13) Hoje, os distribuidores devem oferecer mais serviços que produtos e boas condições de negociação. De que forma isso pode ser feito e o que o varejo espera?
Oferecer serviço de boa qualidade. Qualidade significa garantia de prazo com ênfase em planejamento, integridade do transporte obtida através de padronização dos processos de logística e qualificação dos profissionais, além de custos competitivos obtidos pela eliminação de desperdícios e redução de riscos, etc.

14) O que significa assumir a Presidência da Abradilan em um período de plena expansão do mercado?
Assumir a Presidência do Conselho Diretivo da Abradilan é uma honra e um grande desafio. Honra porque se trata de uma das mais importantes entidades de nosso segmento e desafio porque represento, aqui, um pouco de cada um dos associados. Nesse sentido, tenho como compromisso moral e estatutário a defesa dos interesses de todos os associados. Além disso, dar continuidade ao trabalho realizado pelas pessoas que passaram por esta cadeira e pelas quais tenho grande respeito e admiração.

Fonte: Revista Guia da Farmácia



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