Em cinco anos, 50% da receita da Abbott virá dos países emergentes

Da Redação

A americana Abbott, fabricante de produtos médicos diversificados, pretende ampliar sua presença em mercados emergentes que, depois da separação da área de produtos farmacêuticos de pesquisa em uma empresa independente batizada AbbVie, passaram a representar 40% dos negócios. Em três a cinco anos, de acordo com o gerente-geral da companhia no Brasil, Juan Carlos Gaona, essas economias deverão responder por metade das vendas da Abbott e a expansão poderá se dar por via orgânica ou por meio de aquisições.

Antes da cisão da AbbVie, anunciada globalmente em outubro de 2011 e concluída no Brasil em janeiro deste ano, as vendas anuais da farmacêutica giravam em torno de US$ 40 bilhões. No momento do anúncio, a indústria farmacêutica global já vivia uma intensa onda de aquisições e reorganização de portfólios, com vistas à concentração das companhias somente nos negócios considerados estratégicos.

No ano passado, após a cisão, as receitas globais da Abbott ficaram em US$ 21,8 bilhões, com relativo equilíbrio entre as quatro áreas de negócio: diagnósticos, dispositivos médicos, nutricionais e medicamentos de marca. Por região, 30% das vendas se deram nos Estados Unidos; outros 30% na Europa Ocidental, Canadá, Japão e Austrália; e 40% em mercados de crescimento acelerado, entre eles Brasil, Rússia, Índia e China.

Conforme Gaona, a expectativa é a de que os quatro segmentos impulsionem o crescimento nos mercados emergentes. “O Brasil é um dos pilares de expansão da Abbott”, reiterou o executivo, em entrevista ao Valor. Neste momento, porém, o crescimento no país deve ser orgânico, uma vez que a companhia não vislumbra nenhuma aquisição. “Há ativos interessantes no mercado, mas eles estão caros”, disse.

A compra mais recente no país foi anunciada em julho do ano passado, quando a Abbott levou a distribuidora paulista de produtos oftalmológicos Vistatek. No exterior, a companhia acertou a aquisição da chilena CFR Pharmaceuticals e da russa Veropharm, ao longo do segundo trimestre.

 

ESTRATÉGIA NO BRASIL

 

A estratégia da farmacêutica no Brasil passa ainda por esforços de expansão regional das vendas, com destaque para mercados do Nordeste e interior de alguns Estados, como Minas Gerais, além da introdução de novos produtos.

O forte interesse deve-se ao tamanho do “novo” mercado de medicamentos, que ganhou consumidores com o aumento de renda da população, a resiliência típica das vendas de remédios às crises econômicas e o potencial de expansão em segmentos que ainda não são tão fortes no país como nas demais regiões do globo em que a Abbott tem operação.
Nessa linha, disse Gaona, o Brasil oferece “potencial gigante” de crescimento para os negócios da unidade nutricional, que abriga produtos como o Pedialyte (de reidratação oral), PediaSure (suplemento nutricional infantil) e Ensure (suplemento para adultos).

Já na área de medicamentos, a Abbott pretende alcançar taxas de crescimento superiores à média do mercado, que está estimada em 12% em 2014. Segundo o executivo, a Abbott tem capacidade instalada no país para atender à demanda crescente e ainda utilizar a fábrica do Rio de Janeiro como polo exportador. Hoje, 95% da unidade é destinada à área farmacêutica e há embarques de produtos para onze países, sobretudo na América Latina.

Conforme Gaona, a despeito das taxas expressivas de crescimento do mercado farmacêutico brasileiro e do potencial de manutenção do ritmo nos próximos anos, o principal pilar da estratégia da Abbott no país é garantir o acesso da população a medicamentos, seja via custo ou por meio de disponibilidade geográfica.

O segmento de genéricos, porém, não atrai o interesse da Abbott, que enxerga como principais concorrentes no país laboratórios locais como Eurofarma e Aché. “Temos uma tradição enorme de marca”, afirmou o executivo. “Para se estar em genéricos, em que a margem é reduzida, é preciso escala. A Abbott tem uma estratégia distinta dessa”, acrescentou.

 

Fonte: Valor Econômico



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