Empresa de tecnologia de gestão para o varejo Linx anuncia aquisição da Big Sistemas para expandir atuação no setor farmacêutico

Recentemente, a empresa de tecnologia de gestão para o varejo Linx anunciou a aquisição da Big Sistemas, em operação que pode chegar a R$ 38,7 milhões, o que permitirá a expansão de atuação no setor de farmácias.

A Big Sistemas atua no desenvolvimento e comercialização de softwares de gestão e automação de farmácias com foco em redes de pequeno e médio portes. A empresa, com matriz em Bebedouro, no interior de São Paulo, obteve faturamento de R$ 13,4 milhões nos últimos 12 meses.

“A aquisição da Big Sistemas está alinhada com a estratégia da Linx de expansão nas principais verticais do varejo”, disse o diretor presidente da Linx, Alberto Menache. “Queremos consolidar nossa atuação no segmento de Farmácias e Drogarias, que vem crescendo em ritmo acelerado no mercado brasileiro”, acrescentou o executivo.

A Linx pagará R$ 28,5 milhões à vista pela aquisição. Até R$ 10,22 milhões podem ser pagos adicionalmente, sujeitos ao atingimento de determinadas metas financeiras e operacionais para os anos de 2015 e 2016.

 

SOBRE A LINX

Especializada em software de gestão para o varejo, a Linx foi fundada em 1985 pelo paulistano Nércio Fernandes, e em três décadas já possui números impressionantes. A empresa abriu o capital em fevereiro de 2013, quando captou R$ 528 milhões.Desde então, suas ações valorizaram-se mais de 90%.

O valor de mercado de R$ 2,4 bilhões é superior ao de algumas companhias mais conhecidas e mais badaladas, como Magazine Luiza (R$ 1,6 bilhão), Eletropaulo (R$ 2 bilhões), a operadora de turismo CVC (R$ 1,8 bilhão) e o frigorífico Minerva (R$ 1,6 bilhão). Em 2013, a companhia faturou R$ 295,5 milhões, uma alta de 27,9% em relação ao ano anterior. O lucro, por sua vez, saltou 260%, para R$ 62,4 milhões.

Não bastasse isso, a Linx detém 32% do mercado de software para varejo, de acordo com a consultoria americana de tecnologia IDC. Essa participação é maior do que a soma do segundo, terceiro, quarto e quinto competidores reunidos. São atributos que chamaram a atenção do fundo soberano de Cingapura (GIC), que gerencia mais de US$ 100 bilhões em ativos financeiros ao redor do mundo. O GIC, que detém participações em empresas brasileiras como BTG e Netshoes, comprou uma fatia de 5% de seu capital, em março deste ano.

Em junho, foi a vez da Cielo, empresa de meios de pagamento, anunciar uma joint venture com a Linx. O objetivo é atacar de forma conjunta os pequenos comerciantes que ainda fazem anotações no bloquinho e vão começar o processo de informatização de suas lojas. A nova empresa precisará ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O objetivo é iniciar as operações a partir de 2015.

A despeito de seus quase 30 anos de história, o impulso da Linx aconteceu em dois momentos. O primeiro, em meados da década de 1990, derivou da expansão dos shoppings centers no País. Com a estabilidade econômica conquistada a partir do Plano Real, em 1994, os centros comerciais se massificaram, o que exigiu novas estruturas para as marcas de roupa. “O segmento de vestuário também passou a vender”, diz Fernandes. “A Hering, por exemplo, não tinha lojas nessa época.” Com um software preparado para atender da produção à venda, a Linx deslanchou.

Atualmente, os dez maiores varejistas de roupa e calçados e 07 das dez maiores lojas de departamento do Brasil usam o sistema de gestão da empresa. São nomes como a própria Hering, Arezzo e Lojas Americanas. No total, são 25,7 mil clientes no varejo. A grande virada da Linx, no entanto, começou em 2010, quando o BNDESPar, braço de investimento do BNDES, adquiriu uma fatia de cerca de 20%. Um ano depois, foi a vez de o fundo americano General Atlantic, que detém um portfólio de empresas avaliadas em US$ 12 bilhões, pagar R$ 129,2 milhões por 20% – o fundo se afastou da Linx em junho deste ano, depois de haver multiplicado por três seu investimento.

Com dinheiro em caixa, a companhia saiu às compras. Desde 2008, foram 17 aquisições, sendo treze delas depois que o BNDESPar virou acionista. Na leitura do BNDES, que ainda mantém 10% da Linx, era necessário abrir novas frentes de trabalho para que a empresa pudesse fortalecer sua musculatura e aumentar de tamanho. Em dezembro de 2009, por exemplo, foram três aquisições na mesma semana – duas no mesmo dia. “Isso aconteceu por causa do BNDES, que para investir exigiu que comprássemos outras três empresas”, diz Fernandes.

“Foi uma situação curiosa, pois para comprar precisávamos dos recursos do banco.” A transação mais recente foi da Rezende Sistemas, especializada em soluções de posto de gasolina, em maio deste ano, por R$ 49,9 milhões. “Todas foram muito bem-sucedidas, sempre dialogamos muito”, afirma Alberto Menache, CEO da Linx , que começou como estagiário da empresa em 1991, quando tinha 17 anos. Detalhe curioso: Fernandes, apesar de ser o maior acionista individual, com uma fatia de 11,6%, atualmente acumula o posto de presidente do conselho de administração com o de vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento, deixando a parte administrativa aos cuidados de Menache, dono de 9,8%.

Em todos os negócios, a operação da desenvolvedora adquirida é integrada à Linx e algumas das marcas são preservadas como nomes de produtos. Uma dessas transições aconteceu com a Mundo Verde, varejista especializada em produtos de bem-estar, que era atendida pela Microvix, de Joinville (SC), incorporada em 2012. “Antes, quando ocorria algum problema, eu ligava para o dono”, afirma Mafaldo Junior, diretor financeiro da Mundo Verde. “Hoje não tem mais isso, mas em compensação contamos com uma estrutura mais robusta.” O mercado vê com bons olhos esse processo de consolidação. Para o banco de investimento Credit Suisse, as aquisições trazem economia de escala para a Linx, o que deve proporcionar margens maiores nos próximos balanços.

A Linx não é a única empresa do setor com dinheiro para ir às compras. Suas duas principais concorrentes, a paulista Totvs, fundada pelo empresário Laércio Cosentino, e a curitibana Bematech, presidida por Cléber Morais, também estão agressivas, buscando ganhar uma fatia no disputado mercado.

A Totvs, por exemplo, comprou oito concorrentes menores nos últimos três anos, sendo metade vinculada ao varejo. A Bematech, por sua vez, já fez 12 aquisições desde 1990 (a mais recente Unum, de São Paulo, por R$ 40 milhões) e formou parcerias com o comparador de preços Buscapé e a credenciadora de cartões de crédito americana Elavon.

Neste ano, a nova aliada a Linx é a fabricante de smartphones Samsung. “Teremos um polo de desenvolvimento para o varejo, focando primeiro o segmento de hotelaria”, diz Morais. Com R$ 240 milhões de caixa líquido no primeiro trimestre de 2014, a Linx parece demonstrar que tem bala na agulha. No entanto, para não perder o ritmo, ela terá de continuar, mais do que nunca, fazendo jus ao seu nome. Linx foi inspirado em “lynx”, que em português significa lince, um felino conhecido não só pela sua visão apurada como também por sua velocidade.

 

Fontes: O Estado de S. Paulo e IstoÉ Dinheiro



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