Espírito coletivo – eu sou porque nós somos

Vivemos um período de questionamentos em diversos aspectos sociais, mas um que mais tem chamado a atenção é a exposição de atos que não condizem com a moral e ética de nossa sociedade, que tem como principal representante a corrupção que é gritante em nossa vida pública.

Contudo, toda essa exposição leva a uma reflexão muito maior, no qual se observa que existe um grande impacto do comportamento individual no comportamento coletivo e vice e versa. Sendo que todos devem estar alinhados nos preceitos éticos e morais para que se obtenha os melhores resultados.

“Tenho observado que mesmo vivendo em sociedade, ainda existem os que se acham no direito de tomar ações que vão na contraposição do que é estabelecido, sem perceber que com isso ela não está se beneficiando, mas sim prejudicando o conjunto”, explica o presidente da Febrafar, Edison Tamascia.

Edison Tamascia
Edison Tamascia

Exemplos desse tipo de ação são muitos. No âmbito pessoal existem os que jogam lixo fora de lixeiras e não observam nisso um problema. No âmbito profissional isso ocorre quando os profissionais buscam se aproveitar de brechas nas regras das empresas em benefícios próprios. Em associações isso se exemplifica no fato das pessoas buscarem seus benefícios, mas não arcarem com as obrigações, que muitas vezes são bastante simples.

Assim, o indivíduo não tem a percepção do impacto de suas ações no resultado do todo, partindo do pensamento de que por ser um pequeno desvio esse não terá grande importância, e assim se abre concessões perigosas que prejudicam o coletivo.

Não devem haver distinção entre pequenos desvios e grandes desvios, pois todos são prejudiciais. Sendo que, da mesma forma que um indivíduo pensa que jogar o papel na rua não é prejudicial, a outra imagina que a prática da corrupção e sonegação também não é.

Necessidade dentro do associativismo

No associativismo essa necessidade de espírito coletivo se torna ainda mais fundamental. “Nesse modelo de trabalho o legal não é ser dono, é fazer parte! Nesse ponto é importante um alerta: como em uma manada de elefantes, no associativismo o ritmo é traçado pelo mais lento. Assim, se uma parte não se prepara ou não responde as demandas, todo o grupo é prejudicado”, explica Tamascia.

A ideia é complementada pelo diretor geral José Abud Neto. “Uma peça do grupo que não aja de forma correta prejudica todo o coletivo. No associativismo temos que pensar no compromisso que temos em progredir conjuntamente. E nesse ponto muitas vezes é preciso repensar as ações. Lembrar que, se não houver uma doação individual, não se pode cobrar um resultado do grupo”.

José Abud Neto
José Abud Neto

O presidente da Febrafar cita como referência para o associativismo a expressão “Ubuntu”, que é uma palavra existente nas línguas zulu e xhosa, faladas na África do Sul. Nela está contida uma filosofia que se opõe ao individualismo tão comuns em nossa sociedade atual. Ela significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras “Eu só existo porque nós existimos”.

Nesse ponto entra mais uma importante reflexão sobre como as decisões do grupo devem ser respeitadas, sendo que o associativismo é formado por pessoas de culturas e visões diferentes, mas as decisões são tomadas em conjunto e a partir desse momento devem ser respeitadas e seguidas por todos.

Para o crescimento de uma sociedade ou de grupos é fundamental esse entendimento do espirito coletivo, fazendo com que as ações sejam pensadas de forma a não prejudicar aos demais, pois, querendo ou não, ao jogar um papel no chão as pessoas estão justificando outros atos muito mais execráveis.