Falta de combustível limita circulação de medicamentos

A paralisação de caminhoneiros chega ao 5º dia e já começa a abalar todos os setores que dependem do transporte de insumos – inclusive o de saúde. Entidades nacionais do setor procuradas pelo G1 informam que o efeito da greve e da falta de combustível está começando a ser sentido no abastecimento de medicamentos e no cancelamento de cirurgias não emergenciais. Também há crises localizadas em alguns estados (confira abaixo).

A preocupação mais urgente e mais imediata nesse momento, contudo, é com a circulação de ambulâncias: em Minas Gerais e no interior de São Paulo, parte da frota deixou de circular. Outro ponto de alerta são os insumos necessários para a realização de cirurgias e de procedimentos. Como não chegam a hospitais, a ausência desses materiais está gerando cancelamentos.

Em Santa Catarina, a secretaria de Saúde anunciou o cancelamento de todas as cirurgias eletivas (não emergenciais) em treze hospitais da rede estadual por falta de material cirúrgico. Já em Santos (SP), houve cancelamento de vacinas por falta de reposição; em Pernambuco, os estoques de oxigênio estão pela metade. Há também alguns equipamentos laboratoriais que funcionam a diesel e não possuem reservas.

Ambulâncias e funcionários

Afora algumas situações já instauradas, há a preocupação com o atendimento de ambulância, com a presença de funcionários nos hospitais e com o abastecimento de caldeiras em laboratórios, que funcionam a diesel e não possuem reservas para longos períodos.

O consenso é que, por enquanto, não há consequências tão graves, mas a situação precisa ser normalizada nos próximos dias: há reservas de oxigênio pela metade (PE) e o risco de falta de insumos de hemodiálise (RJ).

Tércio Kasten, presidente da presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNS), entidade que congrega federações de saúde estaduais, reforça que a principal preocupação é com ambulâncias.

“Se a greve persistir, o serviço de prestação de saúde terá consequências. Nossa preocupação eminente é com as ambulâncias do serviço de emergências” — Tércio Kasten.

Equipamentos a diesel

Uma outra preocupação são as caldeiras em laboratório que funcionam a diesel. Utilizada em vários setores da indústria, elas são largamente usadas na indústria farmacêutica para a fabricação de insumos.

“Grande parte das caldeiras utilizadas no setor utilizam o diesel como combustível, não dispondo de uma estocagem para longos períodos de carência”, diz Kasten.

Ausência de medicamentos

Entidades também manifestaram preocupação com a ausência de medicamentos. Na quinta-feira (25), a Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) disse que 6,3 milhões de estabelecimentos em todo o país não estão sendo abastecidos.

A rede também manifestou preocupações com terapias que precisam de refrigeração – circunstância difícil de se manter por muito tempo na estrada.

O presidente da Febrafar (Federação Brasileira de Farmácias), Edison Tamascia, disse que o impacto da greve começou a ser sentido na quarta-feira (24).

“Não chegou mercadoria e o movimento está sendo bastante afetado. Existe um sério risco de falta de medicamentos. Nossa expectativa é que a situação se resolva o quanto antes”, diz Tamascia.

Outras entidades que manifestaram preocupação com a continuidade da greve foram a Federação Brasileira de Hospitais e a Associação Nacional de Hospitais Privados.

“Estamos preocupados com a situação do desabastecimento de insumos, de materiais hospitalares e, também, de mão de obra, ou seja, a presença física dos funcionários nos hospitais”, disse Luiz Aramicy Pinto, presidente da Federação Brasileira de Hospitais.

A situação poderá ser resolvida?

A reportagem do G1 entrou em contato com o Ministério da Saúde para verificar se estão sendo pensadas alternativas para o abastecimento de insumos de saúde.

Os caminhoneiros estão parados há cinco dias. Há manifestações em 20 estados e no Distrito Federal contra a disparada do preço do diesel, que faz parte da política de preços da Petrobras em vigor desde julho de 2017.

Na quinta-feira (24), um acordo do setor foi feito com o governo, que incluiu a redução de 10% nos preços do diesel pelos próximos 30 dias; a paralisação, no entanto, continua nesta sexta-feira (25).

Fonte  – G1 – Por Monique Oliveira, Luiza Tenente, e Mariana Garcia