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20 de novembro de 2025
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população com mais de 50 anos de idade saltou de 15,1% em 2000 para 27,9% em 2024.
E a tendência deve se intensificar nas próximas décadas. Para 2050, esse grupo deve chegar a 42,3% dos brasileiros e, para 2078, estima-se que ele ultrapasse os 50%, impulsionando mudanças profundas na economia, na saúde e nos padrões de consumo1.
Uma pesquisa divulgada pelo hub de pesquisa Data8 mostra que em 2044, a economia prateada irá representar 35% do consumo no Brasil, o que significa um movimento de R$3,8 trilhões no Produto Interno Bruto (PIB). Em apenas 20 anos, o consumo dos brasileiros acima de 50 anos – que hoje já é de 1,8 trilhão de reais – irá praticamente duplicar.
Os consumidores acima de 50 anos têm nas farmácias um espaço essencial de cuidado e manutenção da saúde. O carro-chefe de suas compras continua sendo os medicamentos de uso contínuo, reflexo direto do perfil de saúde dessa faixa etária, sendo que 73,3% convivem com pelo menos uma doença crônica, segundo o estudo.
Em entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia, o presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas de Farmácias (Febrafar), Edison Tamascia conta que entre as enfermidades mais comuns estão: hipertensão, diabetes e colesterol alto, o que explica a forte presença de remédios controlados e genéricos nas cestas de compra.
“Além dos medicamentos, há também um aumento expressivo na procura por produtos de prevenção e autocuidado, como vitaminas, suplementos alimentares, colágenos, probióticos e dermocosméticos. Produtos de higiene, nutrição balanceada, ortopedia e cuidados com a pele madura também ganham destaque”, diz.
Tamascia lembra que esse público demonstra preocupação crescente com a qualidade de vida e o envelhecimento saudável, o que amplia as oportunidades para as farmácias que investem em mix mais diversificado e segmentado.
A Febrafar realizou a edição de 2024 do Estudo do Mercado Sênior, realizado pelo IFEPEC (Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa) em parceria com o NEIT (Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia) da Unicamp. Ela trouxe importantes números em relação a esse público, embora o público sênior aprecie a conveniência e o bom atendimento, o preço é o principal fator de decisão.
“De acordo com o levantamento, 91% dos entrevistados consideram o preço o critério mais importante ao escolher uma farmácia. Essa sensibilidade é explicada por aspectos econômicos: 36,9% vivem de aposentadoria e 67,7% pagam do próprio bolso pelos medicamentos”, conta Tamascia.
Entretanto, o preço não é o único determinante. “Localização (60,1%), disponibilidade de estoque (54,4%) e estacionamento (52,9%) também são pontos de decisão fortes. Além disso, 43,6% valorizam o fato de a farmácia participar do programa Farmácia Popular, que amplia o acesso a medicamentos essenciais”, destaca.
O atendimento humanizado, embora venha depois, aparece como diferencial competitivo: 39,2% destacam o bom relacionamento com os atendentes e farmacêuticos como fator de confiança e fidelização.
As farmácias devem ampliar o mix com foco em saúde preventiva e bem-estar, além de produtos que facilitem a rotina do consumidor maduro. Isso inclui medicamentos de uso contínuo, suplementos, dermocosméticos específicos para pele madura, produtos ortopédicos, e linhas de higiene e nutrição funcional.
“Nos serviços, é fundamental oferecer acompanhamento farmacêutico, testes rápidos, medição de pressão e glicemia, além de programas de adesão ao tratamento. Outro ponto relevante é adaptar a loja fisicamente, com boa iluminação, sinalização clara e acessibilidade, para garantir conforto e segurança”, pontua Tamascia.
O público 50+ está cada vez mais conectado, mas o atendimento presencial ainda é predominante.
Muitos utilizam os canais digitais para comparar preços, consultar promoções e fazer reposições de produtos conhecidos, mas preferem o contato direto na loja para orientações ou novas compras.
“Há, contudo, uma tendência de crescimento no uso do WhatsApp, principalmente, e de aplicativos como canais de comunicação e compra, especialmente quando o atendimento digital é humanizado e fácil de usar”, diz o executivo da Febrafar.
Os serviços farmacêuticos têm papel decisivo na fidelização. De acordo com Tamascia, para o público 50+, a farmácia que oferece cuidados de saúde contínuos se torna uma referência de confiança.
“A possibilidade de realizar medições, monitorar indicadores e tirar dúvidas sobre tratamentos sem precisar agendar consultas médicas reforça o vínculo com o farmacêutico e estimula visitas mais frequentes”, afirma. Além disso, para ele, programas de acompanhamento de doenças crônicas e orientação sobre uso correto de medicamentos aumentam a adesão ao tratamento e fortalecem a imagem da farmácia como parceira na saúde.
Para ganhar a preferência do público 50+, Tamascia acredita que as estratégias mais eficazes são aquelas que combinam clareza, empatia e credibilidade. “O público 50+ responde bem a mensagens educativas e informativas, que explicam benefícios e orientam sobre cuidados de saúde”, analisa.
Nesse sentido, campanhas com linguagem acessível, foco em qualidade de vida e exemplos reais de superação e bem-estar têm grande aceitação. “É essencial evitar estereótipos e tratar esse público como ativo, conectado e exigente. O marketing de relacionamento, com programas de fidelidade e comunicação segmentada via WhatsApp, SMS ou e-mail, também apresenta bons resultados”, comenta.
O envelhecimento populacional tende a fortalecer o papel das farmácias como centros de cuidado e prevenção. O Brasil caminha para ter mais idosos do que jovens nas próximas décadas, o que ampliará a demanda por serviços farmacêuticos, produtos de saúde e soluções de conveniência.
“As farmácias que se posicionarem como aliadas na jornada de envelhecimento saudável, com mix adaptado, atendimento especializado e programas de acompanhamento, terão papel central no sistema de saúde, atuando não apenas como pontos de venda, mas como polos de bem-estar comunitário”, afirma Tamascia.
Tamascia conta que o público 50+ é um dos mais frequentes e rentáveis do varejo farmacêutico. Em média, visita a farmácia de duas a três vezes por mês, seja para reposição de medicamentos, compra de produtos de higiene e bem-estar, ou utilização de serviços farmacêuticos.
“O tíquete médio tende a ser 20% a 30% superior ao de outras faixas etárias, especialmente devido ao consumo de medicamentos contínuos e produtos premium, como suplementos e dermocosméticos”, diz.
A fidelização do público 50+ passa por três pilares: atendimento humanizado, ambiente acolhedor e relacionamento contínuo. De acordo com Tamascia é essencial que os colaboradores estejam treinados para ouvir, orientar e transmitir segurança.
Além disso, a farmácia deve manter boa organização visual, iluminação adequada e acessibilidade. “Oferecer serviços de saúde, acompanhamento personalizado e programas de fidelidade ajuda a manter o vínculo. Além disso, a comunicação deve ser clara, com informações legíveis e sem excesso de termos técnicos, demonstrando respeito e valorização dessa importante faixa de consumidores”, finaliza.
Fonte: Guia da Farmácia
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