14 de janeiro de 2026

R$ 243 bilhões em faturamento: o varejo farmacêutico cresce, mas não admite mais improviso 

O varejo farmacêutico brasileiro vem alcançando, mês após mês, patamares históricos de faturamento, ao mesmo tempo em que entra em um novo estágio de maturidade. Dados da IQVIA, referentes ao Total Anual Móvel até novembro de 2025 (MAT 11/2025), mostram que o mercado atingiu R$ 243,33 bilhões, com crescimento de 10,81% na comparação anual. Embora os números confirmem a força do setor, o ambiente deixou de ser guiado pelo crescimento automático e passou a exigir gestão, eficiência e estratégia para sustentar resultados.

Pela primeira vez em muitos anos, o setor não cresce mais por inércia. A concorrência se intensificou, as margens ficaram mais pressionadas e os erros passaram a ter impacto direto na sobrevivência dos negócios. O improviso, que em outros momentos funcionou como alternativa, já não encontra espaço em um mercado cada vez mais profissionalizado.

Esse movimento fica evidente na dinâmica do varejo independente. Dados da IQVIA indicam que, pelo terceiro ano consecutivo, mais farmácias independentes fecharam do que abriram no Brasil. No período de 12 meses até outubro de 2025, foram 5.459 novas farmácias abertas, enquanto 6.555 encerraram suas atividades, resultando em um saldo negativo de 1.096 lojas. Trata-se de uma inflexão relevante, que não aponta para uma crise do setor, mas sinaliza um aumento significativo no nível de exigência operacional.

Dentro desse cenário, a Febrafar manteve desempenho acima da média do mercado. A federação associativista reúne 70 redes e 17.907 lojas, com presença em 68% dos municípios brasileiros (3.808 cidades), alcançando 86% da população nacional, cerca de 182 milhões de pessoas. Segundo os dados da IQVIA (MAT 11/2025), as farmácias associadas registraram R$ 41,10 bilhões em faturamento, com crescimento de 13,38%, garantindo market share nacional de 16,89%.
 

Para Edison Tamascia, presidente da Febrafar, os números refletem uma transformação estrutural do varejo farmacêutico, em que operar bem deixou de ser diferencial e passou a ser condição mínima para permanecer competitivo. “O varejo farmacêutico entrou em uma nova fase. Crescer hoje exige disciplina, gestão baseada em dados e capacidade de execução. A Febrafar tem conseguido crescer acima da média porque oferece estrutura, tecnologia e inteligência de negócio às farmácias associadas, reduzindo riscos e aumentando eficiência”, afirma.

Diversificação do mix e eficiência como fatores-chave

A leitura dos dados da IQVIA mostra que, embora os medicamentos sigam como principal fonte de receita, o crescimento do setor está cada vez mais ligado à diversificação do mix e à gestão eficiente das categorias. No mercado total, os medicamentos de marca (propagados) somaram R$ 99,1 bilhões, com crescimento de 11,27%, enquanto os genéricos alcançaram R$ 46,9 bilhões, avançando 14,45%.

Entre as associadas da Febrafar, o desempenho foi ainda mais consistente. Os genéricos cresceram 17,18%, totalizando R$ 10,0 bilhões, enquanto os similares e trade equivalente avançaram 9,05%, frente a 3,49% do mercado geral, evidenciando ganho de eficiência e melhor execução no ponto de venda.

“Não basta comprar melhor ou negociar pontualmente com a indústria. É preciso ter visão de negócio, controle de dados, rotina de análise e capacidade de adaptação. O crescimento sustentável passa necessariamente por gestão profissional”, reforça Edison.

Outro fator relevante em 2025 foi a forte demanda por medicamentos à base de GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade. Embora tenham impulsionado o faturamento do setor, esses produtos também expuseram gargalos na cadeia de suprimentos, especialmente para o varejo independente.

A restrição de oferta e a priorização das grandes redes corporativas limitaram o acesso das farmácias independentes. Com maior regularidade no abastecimento, o desempenho da Febrafar poderia ter sido ainda mais expressivo.

Mesmo assim, o crescimento da Febrafar foi consistente em todas as regiões do país. O Nordeste alcançou R$ 11,46 bilhões, com crescimento de 13,85%, enquanto o Sudeste somou R$ 13,66 bilhões (+11,85%). No Sul, o faturamento atingiu R$ 7,18 bilhões (+11,15%). As regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram os maiores avanços percentuais, com 14,24% e 20,60%, respectivamente, reforçando a importância do associativismo fora dos grandes centros.

Digitalização deixa de ser diferencial e vira requisito

Ao longo de 2025, a Febrafar ampliou investimentos em inteligência artificial, sistemas proprietários, análise de dados e digitalização da operação, fortalecendo a capacidade de gestão das farmácias associadas. Esse movimento rendeu reconhecimento internacional, com menção ao trabalho da entidade pelo Google, em Nova Iorque.

“O setor ainda é muito analógico, especialmente entre os independentes. E isso hoje representa risco. Digitalização não é mais opção ou custo extra, é requisito básico para sobreviver e crescer nesse novo ambiente”, destaca Edison.

Perspectivas para 2026

Para 2026, a expectativa do mercado farmacêutico é de crescimento em torno de 12%, mantendo o ritmo observado nos dados da IQVIA do MAT 11/2025. A Febrafar projeta novamente superar esse índice, apoiada em tecnologia, inteligência comercial e gestão integrada. “O cenário ficou mais desafiador, mas também mais claro: quem se organiza, investe em gestão e executa bem cresce. Quem insiste no improviso fica para trás”, conclui Edison.

Com base nos dados da IQVIA, a Febrafar encerra 2025 posicionada como um dos principais vetores de crescimento do varejo farmacêutico brasileiro, reforçando que, na nova fase do setor, associativismo, tecnologia e gestão profissional não são mais diferenciais — são condições para continuar no jogo.

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