29 de dezembro de 2025
06 de dezembro de 2025
Por Viviane Alvarenga, Diretora de Gente e Gestão da Febrafar e Farmarcas
Em um mundo corporativo cada vez mais veloz, competitivo e interconectado, o verdadeiro diferencial de uma organização continua sendo o mesmo: pessoas. Estratégias, estruturas e sistemas são importantes, mas são as pessoas — e especialmente a liderança — que dão vida, direção e cultura aos negócios.
É por isso que refletir sobre o papel da liderança nas organizações é algo urgente. Mais do que gerenciar tarefas, liderar é a arte de engajar pessoas e transformar grupos em equipes de alta performance.
Ainda hoje, muitas organizações confundem grupos com equipes. Um grupo é um conjunto de pessoas que compartilham objetivos similares e atuam em conjunto, mas sem necessariamente interdependência real, conexão emocional ou propósito comum. Já uma equipe é um organismo vivo: pessoas que se reconhecem como parte de um todo, que confiam umas nas outras e que entendem o papel individual no sucesso coletivo.
A construção de equipes verdadeiras exige liderança consciente, consistente e conectada com as motivações humanas — não apenas com metas ou resultados.
O estilo da liderança importa (e muito)
Nem toda liderança gera impacto positivo. O estilo de liderança exerce influência direta na cultura, no engajamento e na sustentabilidade dos resultados. Podemos dividir esse impacto em três grandes categorias:
1. Liderança Tóxica: quando o ambiente adoece
A liderança tóxica é centrada no controle, na hierarquia rígida e na comunicação autoritária. Ela desconsidera o emocional das pessoas e frequentemente opera sob o medo. O ambiente se torna tenso, o aprendizado desacelera, e as pessoas entram no modo de defesa, operando com baixa criatividade e engajamento.
Organizações que toleram esse tipo de gestão vivem sob alto índice de turnover, absenteísmo e desgaste emocional. A performance se sustenta apenas no curto prazo — se tanto.
2. Liderança Transacional: o básico da eficiência
Neste modelo, a relação entre líder e liderado é baseada em recompensas e punições. É um estilo que opera bem em ambientes muito estruturados, onde o foco é manter a engrenagem funcionando. O líder transacional preza por metas, processos e conformidade.
Apesar de ser funcional, especialmente em áreas operacionais, esse modelo não desenvolve pessoas, nem ativa o potencial coletivo. As entregas existem, mas o engajamento costuma ser pontual, não sustentável.
3. Liderança Transformacional: a força que move as pessoas
É o estilo de liderança que inspira, desenvolve e conecta pessoas a um propósito maior. O líder transformacional comunica visão, cria um ambiente de segurança emocional, estimula o crescimento individual e coletivo, reconhece talentos e constrói confiança.
Essa liderança é adaptável aos diferentes perfis e gerações, promove inovação e é a base para formar equipes resilientes, criativas e comprometidas. Ela transforma metas em causas.
O fator humano: entender de pessoas é entender de negócios
Simon Sinek já dizia: “100% dos colaboradores são pessoas, 100% dos clientes são pessoas. Se você não entende de pessoas, não entende de negócios”. A liderança transformacional parte justamente dessa premissa.
A diversidade geracional nas corporações é um ótimo exemplo disso. Hoje, convivem no mesmo ambiente profissionais de até quatro gerações distintas:
Um bom líder é aquele que reconhece essas nuances e adapta a forma de comunicar, motivar e direcionar sem perder a coerência da estratégia.
O termo “quiet quitting”, ou demissão silenciosa, ganhou força nos últimos anos. Trata-se de profissionais que, embora ainda presentes fisicamente, já não se conectam mais com os objetivos da organização. Fazem apenas o mínimo necessário, sem envolvimento real.
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