Diabéticos não devem reutilizar agulha de insulina, alerta estudo

A reutilização de agulhas e seringas para a insulina coloca em risco a saúde do paciente e não é uma prática recomendada. Essa foi a conclusão da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) em posicionamento oficial inédito, divulgado nesta segunda-feira com o objetivo de orientar sobre o tratamento injetável do diabetes aos profissionais de saúde.

Entre diversas recomendações práticas para aplicação e autoaplicação de insulina em pessoas com diabetes, a indicação da não reutilização de agulhas e seringas é um dos pontos de destaque, porque o reúso é um hábito comum entre os pacientes no Brasil.

Embora a recomendação da Anvisa e dos fabricantes seja o uso único, o mesmo insumo chega a ser usado pelos pacientes em três a cinco aplicações. Os motivos da reutilização são conveniência, economia, falta de outra seringa ou agulha e falta de orientação apropriada por parte dos profissionais de saúde.

“A reutilização de agulhas pode estar associada ao desenvolvimento de lipo-hipertrofia, infecções do tecido subcutâneo, casos inexplicados de hipoglicemia, variabilidade glicêmica, leve aumento da HbA1C, dor e desconforto nas aplicações”, concluiu o posicionamento. “O reúso de agulhas e seringas de insulina não é uma prática adequada e, portanto, os pacientes deverão ser desencorajados em relação a essa postura”.

A SBD alerta, ainda, que as agulhas, assim como seringas, não são mais estéreis após o primeiro uso e trazem risco de contaminação.

“Reaproveitadas, as agulhas perdem afiação e sofrem alterações, com risco de quebra e bloqueio do fluxo, por causa da cristalização da insulina. Na seringa, a escala de graduação desaparece, o que amplia erros no registro da dose de insulina”, explica Carolina Mauro, Consultora Educacional da multinacional de tecnologia médica BD. A BD foi responsável pela primeira seringa descartável de plástico produzida no Brasil, nos anos 1970.

Lipo-hipetrofia e os riscos envolvidos

“A lipo-hipertrofia é o acúmulo anormal de gordura sob a superfície da pele, observada em forma de ‘caroços’ na pele”, explicou o Dr. Augusto Pimazoni Netto, médico especialista, coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos autores do documento da SBD. “O perigo é que a lipo-hipertrofia pode interferir na eficácia da terapia insulínica”.

Quando aplicada no tecido com lipo-hipertrofia, a insulina tem sua absorção atrasada, tornando o tratamento imprevisível. No primeiro momento, isso gera uma situação de hiperglicemia, seguida por uma liberação rápida para a corrente sanguínea e, por fim, por uma redução drástica e perigosa nos níveis de glicose no sangue, em uma situação oposta, de hipoglicemia. “Em resumo, a presença de lipo-hipertrofia pode tornar o gerenciamento glicêmico do diabetes bem mais difícil”, afirmou Pimazoni.

A SBD também defendeu o uso de agulhas mais curtas (de 4 mm para uso com caneta injetora e de 6 mm para seringas) para todos os perfis de pacientes. Elas são mais confortáveis e seguras, pois reduzem o risco de uma aplicação intramuscular. A agulha mais longa, de 13 mm, traz um risco de 45% de a insulina ser depositada no músculo, e não no tecido subcutâneo. Segundo o estudo, o risco pode ser reduzido a menos de 1% com a utilização de agulhas mais curtas, de 4 mm. A insulina tem absorção diferente quando aplicada no músculo, causando variabilidade glicêmica e frequentes casos de hipoglicemia.

A divulgação do posicionamento teve apoio da empresa global de tecnologia médica BD, considerando o potencial impacto sobre a educação da classe médica, dos demais profissionais de saúde e da população sobre o diabetes. “Apesar da alta qualidade do material para tratamento injetável de diabetes, os riscos envolvidos na reutilização não podem ser desconsiderados por questões de economia, praticidade ou pior, pela falta de orientação correta. A saúde e o conforto do paciente devem vir em primeiro lugar. A BD preza pela segurança e a qualidade de vida das pessoas que precisam conviver com a doença diariamente”, afirmou Carolina Herrera, Diretora de Diabetes Care da BD Brasil.

O conteúdo do posicionamento da SBD é resultado de ampla enquete internacional, com 183 especialistas em diabetes, de 54 países, que fizeram parte de um fórum global da doença em Roma, na Itália, em 2015. Além da expertise dos especialistas e revisão de estudos científicos, a discussão também foi baseada nos resultados da pesquisa com mais de 13 mil pacientes em tratamento insulínico, realizada em 42 países, em que o Brasil participou com 255 pacientes, em cinco centros de referência em diabetes (São Paulo, Curitiba, Brasília, Uberaba e Porto Alegre).

“Existe uma urgente necessidade de atualizar os conhecimentos e condutas clínicas em relação à assistência ao portador de diabetes no Brasil, principalmente se tratando de uma doença que afeta milhões de pessoas”, disse o Dr. Luiz Turatti, presidente da SBD. “Sentimos que faltam, no país, diretrizes devidamente embasadas para guiar os profissionais da saúde, não só no tratamento, mas também na instrução dos pacientes, que precisam receber a devida educação para autoaplicação com segurança e conforto”.

O posicionamento da SBD está em linha com um estudo publicado em 2016 no periódico Mayo Clinic Proceedings. O corpo editorial de especialistas em diabetes no Brasil revisou as recomendações de maneira aplicável à realidade brasileira.

Sobre a Sociedade Brasileira de Diabetes:

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) é uma associação civil, sem fins lucrativos e foi fundada em 1970. Tem como membros médicos e outros profissionais de saúde com interesse em diabetes mellitus. Filiada à International Diabetes Federation (IDF), tem como missão contribuir sempre para a prevenção e tratamento adequado do diabetes, disseminando conhecimento técnico-científico entre médicos e profissionais de saúde para conscientizar a população a respeito do diabetes visando a melhora da qualidade de vida das pessoas com diabetes. Objetivo é colaborar com o Estado na formulação e execução de políticas públicas voltadas para a atenção correta dos pacientes e redução significativa do número de indivíduos com diabetes em nosso país. Além disso, ser reconhecida nacional e internacionalmente como uma instituição-referência e um centro de saber e informação em diabetes, orientada por princípios de ética e transparência e por uma conduta médica e social desvinculada de qualquer interesse pessoal, financeiro ou corporativo.

Sobre a BD:

A BD é uma empresa global de tecnologia médica que produz e comercializa suprimentos médicos, anticorpos, reagentes, equipamentos e dispositivos para laboratórios e hospitais. Fundada em 1987 e sediada em New Jersey (EUA), a companhia se destaca em dois segmentos: BD Medical e BD Life Sciences. Em 2016, a BD completou 60 anos de presença no Brasil, com um escritório em São Paulo e duas unidades fabris no país: Juiz de Fora (MG) e Curitiba (PR). Pautada em qualidade, segurança e inovação, a BD expandiu-se rapidamente e foi uma das primeiras a fabricar no território brasileiro seringas descartáveis, tubos para coleta de sangue a vácuo e seringas para insulina, contribuindo significativamente para uma melhor qualidade de vida dos pacientes. A companhia vem se destacado no mercado de diagnósticos com equipamentos de alta tecnologia que agilizam resultados de exames cada vez mais precisos. Diversas patologias estão relacionadas ao portfólio da BD, como câncer, AIDS, tuberculose, diabetes e infecções. Uma das prioridades da BD é oferecer produtos que garantam segurança e conforto aos pacientes e profissionais de saúde, além de resultados confiáveis para os médicos seguirem condutas clínicas mais assertivas e ganhos de produtividade para laboratórios e hospitais. Para mais informações, acesse www.bd.com.br