CLOSE-UP, FEBRAFAR e ABRADILAN reúnem autoridades do varejo argentino e mexicano durante encontro em São Paulo

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Close-Up International, líder mundial em auditoria de receituário (mercado de prescrição) para a indústria farmacêutica, FEBRAFAR (Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias) e ABRADILAN (Associação Brasileira dos Distribuidores de Laboratórios Nacionais) reuniram-se com representantes do varejo farmacêutico argentino e mexicano na capital paulista, no último dia 25 de setembro.

Realizado em período integral, o encontro incluiu palestras sobre o mercado dos três países, ocasião em que todos os executivos puderam trocar experiências e ter um panorama da performance de cada mercado. “Este intercâmbio, esta integração com a Argentina e o México e, são fundamentais para o desenvolvimento do nosso negócio”, logo de início reconheceu o Diretor para a América Latina do Close-Up International, Paulo Paiva.

MERCADO MEXICANO

Durante as explanações, o presidente da mexicana ANEFAR (Associação Nacional de Empresas Farmacêuticas Regionais), Fernando Lanzagorta Alverde (na foto abaixo), expôs a trajetória da entidade, fundada em 1989, sua composição atual (em torno de 900 farmácias), missão e formas de atuação em toda a república mexicana. “O nosso varejo é concentrado em poucos grupos de farmácias.

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Com grande representatividade, temos as associações ANADIM e ANEFAR, e o modelo de licenciamento de marca FARMAPRONTO”, revelou destacando que a predominância no comércio local é pela oferta de produtos de marca própria e medicamentos genéricos de marca, prescritos por médicos que são proprietários e muito atuantes em lojas de todo o país.

Alverde apresentou a performance e o cenário do mercado mexicano de medicamentos, sendo que, segundo levantamento da consultoria Knobloch Information Group, em unidades, o mercado total obteve retração (de -0,58%) no comparativo entre 2013 e 2014; Já em valor, registrou crescimento tímido (2,32%), junho a junho.

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Os segmentos varejistas também foram apontados por Alverde. “As grandes cadeias nacionais obtiveram maior venda por unidades no período, seguidas pelo bom desempenho das associadas à ANEFAR. Em faturamento, as farmácias da associação ocupam o terceiro lugar no ranking, atrás das grandes corporações e das cadeias de autosserviço”. Além destas, compõem a estrutura do varejo local as lojas independentes, populares e cadeias regionais (pequenas redes).

Na oportunidade, o executivo mencionou a forte presença da ANEFAR, sua concentração por praças, a performance de suas associadas tanto em número de lojas, consumo e vendas por toda a extensão territorial do quinto maior país das Américas, além do ranking de medicamentos mais vendidos nas farmácias mexicanas, em unidades e valores, com destaque para os de referência e os genéricos de marca (no Brasil, similares). Ao final, Alverde demonstrou grande interesse em expandir negócios na América Central e do Sul.

MERCADO ARGENTINO

Em seguida, o Presidente da Federação Argentina de Câmaras de Farmácias, Dr. Miguel Angel Lombardo (na foto abaixo), apresentou os principais programas de gratuidade de medicamentos vigentes na Argentina, mencionando que o Ministério da Saúde criou em 2002, por meio do programa REMEDIAR, os chamados CAPS – centros próprios de atenção primária à saúde para entrega gratuita de medicamentos essenciais à população de baixa renda, desprovida de cobertura assistencial. “Somente em agosto deste ano, os mais de 6.400 CAPS espalhados pelo país realizaram 4,7 milhões de consultas e efetuaram a distribuição de mais de 1,7 milhão de remédios”, revelou.

Lombardo também mencionou leis que contribuem para a ampliação do acesso a medicamentos para o tratamento de patologias crônicas, como Diabetes, Hepatite B, Tuberculose, HIV, entre produtos voltados à Oncologia, Insuficiência renal, Hemofilia, Contracepção, entre outros, sendo que o elenco de remédios são subsidiados pelo governo para atender às diversas realidades socio-econômicas dos afiliados à entidade.

Ao discorrer sobre o mercado farmacêutico local, o presidente explicou que, por meio do programa REMEDIAR, os laboratórios públicos e privados provêm de medicamentos de forma direta, sendo que a dispensação ocorre pelos CAPS, sem haver participação das redes de varejo (setor privado). Já através de convênios firmados com obras públicas e entidades de saúde pré-pagos – que fornecem medicamentos sem custos para o paciente -, geralmente a dispensação é realizada respeitando a cadeia de comercialização, laboratórios privados, farmácias e drogarias, podendo haver neste processo variações no sistema de isenção, a depender do tipo de tratamento.

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Com relação à estrutura de mercado, o Dr. Miguel Angel Lombardo disse que há no país em torno de 230 laboratórios, dos quais cerca de 150 são os mais importantes em termos de produção, enquanto que os demais são pequenos laboratórios. Os produtos inovadores (P&D) são fabricados pelos laboratórios nacionais de maior porte.

A distribuição é feita por quatro grandes atacadistas (Rofina, Disprofarma, Farmanet e agrícola global), sendo que, das cerca de 445 pequenas atacadistas regionais, estas quatro concentram 70% do mercado argentino. No país, são ao todo aproximadamente 13 mil farmácias (destas, 300 são vinculadas ao governo e 250 são modelos de PBM – onde cobra-se um valor pela oferta de serviços ao paciente). No país de Cristina Kirchner, medicamentos só podem ser comercializados em farmácias, sendo que 90% dos medicamentos são cobertos por convênios médicos.

As cadeias do varejo farma são segmentadas como pequenas, médias e grandes redes. Em número de lojas, as grandes representam 10,8% e, juntas, as pequenas e médias somam 89,2%. Em vendas, as grandes concentram apenas 27,4%. Já as pequenas e médias, juntas, perfazem um total de 72,6%. Há de se ressaltar que, segundo o executivo, são considerados de pequeno ou médio aqueles estabelecimentos com volume anual de negócios até 6 milhões de dólares. Acima deste valor, são consideradas grandes redes.

Lombardo também citou as principais características das redes de farmácias de acordo com a distribuição geográfica do país, o faturamento dos medicamentos por grupo patológico, destacando que os mais vendidos no segundo trimestre deste ano são os da classe dos antineoplásicos e imunomoduladores, que superaram os para tratamento do sistema nervoso, que no ano anterior lideravam o ranking, em páreo com os para o trato digestivo e metabolismo. Ao final, o Presidente afirmou que, “num espaço de oito a 10 anos, temos crescido a uma taxa de quase dois dígitos anuais, mas nos últimos dois anos que o crescimento vem desacelerando, com tendência a queda”.

MERCADO BRASILEIRO

  • VAREJO

A composição e estrutura do mercado no Brasil ficaram por conta do Presidente da FEBRAFAR, Edison Tamascia (na foto abaixo), que de início informou que o mercado brasileiro dobra de tamanho a cada cinco anos, e os resultados superam o PIB nacional, atribuindo tal pujança, sobretudo, à estabilidade econômica (a partir De 1994 – Plano Real) e à expansão das classes sociais (C e D). “A cadeia farmacêutica é muito propícia ao empreendedorismo no Brasil – país que já conta com mais de 70 mil farmácias e drogarias”, frisou.

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Tamascia esclareceu no Brasil a segmentação do varejo se dá em grandes redes, pequenas e médias redes e, em número infinitamente maior, lojas independentes (mais de 75% do total). Também explicou que remédio no Brasil é comércio, haja vista que o governo possui apenas 3% de participação na oferta de medicamentos à população – por meio do programa assistencialista Farmácia Popular.

No ensejo, o Presidente da FEBRAFAR comentou sobre a fundação da federação, em 2000, sua missão, valores, principais compromissos, produtos estratégicos, a evolução do grupo de associadas (que atualmente congrega 46 redes – mais de 9 mil lojas em 22 estados mais o Distrito Federal) e de parceiros de negócios (que superam 60 na indústria, distribuição e prestação de serviços ao varejo) e a participação da entidade em grupos técnicos de trabalho em órgãos do governo federal (Ministério da Saúde, ANVISA, CBFARMA, Ministério do Meio Ambiente e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

Tamascia também fez breve uma demonstração da operacionalização da cadeia de distribuição de medicamentos, desde a fabricação até a dispensação, tendo o distribuidor como intermediador, além de enfatizar a importância das alianças estratégicas entre os players neste processo.

  • ATACADO

Por sua vez, o Presidente da ABRADILAN, Jony de Sousa (na foto abaixo),  apresentou a composição do corpo diretivo da associação, bem como a comunidade de 134 distribuidores associados com presença em 24 estados (65% das cidades brasileiras), e que atende 98% da população nacional (chegando a mais de 55 mil pontos de venda).

De acordo com o executivo, ainda que as associadas atuem com diversos tipos de medicamentos e produtos do setor de HPC (Higiene pessoal, Perfumaria e Cosméticos), a base de comercialização é voltada a genéricos e similares.

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“Para este ano, estimamos que nossas distribuidoras obtenham um crescimento de 30% em vendas”, prevê Sousa, revelando que dez estados concentram 76% dos negócios da entidade. São eles: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina, Goiás, Pernambuco e Ceará.

Outro ponto citado pelo executivo é a tradicional feira ABRADILAN FARMA & HPC, que em 2015 será promovida em São Paulo, entre os dias 18 e 20 de março. “Já possuímos 100 expositores confirmados e esperamos receber mais de 20 mil visitantes na próxima edição do evento”, antecipou.

  • INDÚSTRIA

O período da tarde contou com a presença da indústria. Primeiramente, o Presidente da Divisão Farma da Hypermarcas, Luiz Eduardo Violland (na foto abaixo), explanou as fases estratégicas pelas quais a gigante nacional de bens e consumo atravessou durante seu processo de consolidação e crescimento orgânico rentável no mercado (aquisições, reestruturação organizacional, operacional e financeira e, por fim, execução), a partir de 2008. “De 2008 a 2010, a Hypermarcas adquiriu 23 companhias com foco no setor de saúde e bem-estar, marcas e negócios líderes em seus ramos de atuação”, relembrou.

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Após a reestruturação (2011 a 2014), surgiu um novo modelo organizacional do grupo, que contempla duas divisões de negócios: Farma e Consumo. A Hypermarcas é líder, em vendas, de diversas categorias de produtos da divisão Farma, com destaque para os medicamentos isentos de prescrição (OTC) e similares, ocupando a terceira posição no ranking de genéricos e dermocosméticos.

A companhia também lidera várias categorias do mercado de consumo, com destaque para preservativos, nutricionais (adoçantes), hidratantes, esmaltes, fraldas e produtos para barba. Segundo Violland, a Hypermarcas encontra-se na fase de execução, que deverá ser finalizada nos próximos três anos.

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O executivo mostrou a evolução da estrutura comercial da empresa, seus complexos industriais e de distribuição – todos instalados no estado de Goiás – e falou ainda sobre crescimento de demanda, aumento de produtividade e processo de inovação (lançamento de produtos e desenvolvimento de parcerias), fundamentais para a expansão dos negócios da empresa.

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O Diretor Executivo Comercial da Hypermarcas, Argemiro Cintra dos Santos (na foto abaixo), também contribuiu com algumas mensagens aos participantes, permeadas por exemplos práticos e funcionais, voltadas à visão que a indústria tem do varejo na atualidade, considerando a experiência de compra do consumidor final (shopper).

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Violland concluiu dizendo que “um dos nossos desejos é que possamos – indústria e varejo – estar próximos e abertos para debater novas ideias e encarar desafios. A indústria e o varejo precisam se unir para entender e exceder as expectativas do shopper”.

Na sequência, o Diretor da Unidade de Negócios de ConsumerCare e Medicina Geral da Merck, Christian Schnaas (na foto abaixo), conduziu uma palestra voltada às tendências do mercado farma brasileiro, o crescimento do mercado de genéricos neste contexto, além de abordar o perfil dos principais laboratórios e seus modelos de negócio, a distribuição da população local, e as áreas de oportunidades observadas no comparativo com a expansão geográfica.

“O mercado farmacêutico no Brasil duplicará entre 2011 e 2020, com crescimento médio anual de 10,6% de 2014 a 2017”, revelou afirmando que esta expansão será impulsionada pelos medicamentos genéricos.

Schnaas estima que o bom desempenho do mercado brasileiro se dará ao desenvolvimento econômico do país, envelhecimento da população, investimentos do governo na saúde (doenças de alta prevalência e tecnologias especializadas), extensão do reembolso (Farmácia Popular), maturação da classe média, consolidação de canais (PDV e distribuição), entre outros fatores.

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O executivo mostrou, inclusive, que há diferenças entre os perfis das indústrias instaladas no país e relacionou alguns laboratórios para incrementar sua apresentação, apontando a alemã Merck como uma multinacional de tamanho médio, constituída por grupos heterogêneos. “Dependendo de sua origem, tamanho e constituição, os laboratórios diferem, por exemplo, quanto ao tamanho da carteira de clientes, estrutura acionária e da força de vendas, práticas de negociações, fontes de crescimento e nível de sofisticação (estratégias de negócio)”.

Com relação à distribuição da população, ele revelou que há uma acentuada concentração de habitantes na região Sudeste do país, sendo que somente no Estado de São Paulo – que economicamente é o maior do país – residem pouco mais de 41 milhões de pessoas. “Ainda que os Estados do Sul e Sudeste concentrem o consumo, até 2020 as regiões Norte e Nordeste deverão apresentar alto potencial de crescimento neste sentido, o que representa uma grande oportunidade para a expansão de investimentos.”

CONSULTORIA

O encontro foi encerrado pelo Diretor para a América Latina do Close-Up International, Paulo Paiva (na foto abaixo), que discursou sobre a trajetória de 45 anos da empresa, a evolução do mercado farma no país (entrada dos genéricos, em 1999), a infraestrutura do sistema de saúde brasileiro (gastos com saúde x investimentos do governo), a expansão demográfica (o Brasil cresce oito vezes mais rápido que a Europa), a ascensão da FEBRAFAR no cenário do varejo farma e os desafios e oportunidades oferecidas pelo mercado brasileiro atual.

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Ao final, Paulo Paiva e o vice-Presidente da Close-Up International, Jorge Daniel Guzmán (na foto abaixo), agradeceram a todos pelo produtivo encontro, o qual representou uma excelente oportunidade para que os três países trocassem experiências e identificassem sinergias entre seus diferentes perfis mercadológicos – integração esta fundamental para a expansão dos negócios.

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Os seis empresários latino-americanos (três argentinos e três mexicanos) retribuíram o convite reforçando o aprendizado que obtiveram durante a estada no país tropical. “Esta conexão nos faz retornar fortalecidos e motivados aos nossos países, o que nos deixa muito honrados”, orgulham-se.

Além de dirigentes e executivos da Close-Up International, FEBRAFAR (José Abud Neto e Edison Tamascia) e ABRADILAN (Juliano Vinhal e Jony de Sousa), também acompanharam o encontro representantes do Laboratório Baldacci. Ao todo, participaram 18 pessoas.

 



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