Galderma vai investir R$ 200 milhões em nova fábrica no Brasil a partir de 2015

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A Galderma, companhia da Nestlé na área de saúde da pele, planeja construir uma grande fábrica em Hortolândia (SP) a partir de fevereiro de 2015. O investimento será próximo de R$ 200 milhões, para acelerar sua expansão no mercado brasileiro, que é o terceiro maior do mundo para produtos dermatológicos. “Temos uma fábrica em Hortolândia, mas já está pequena. Estamos discutindo fazer uma fábrica muito grande lá, espero poder começar já em janeiro ou fevereiro”, disse Humberto Antunes, presidente da Galderma. Será uma fábrica de produtos que não precisam de prescrição médica, como hidratantes, limpadores, antissépticos, protetores solares e alguns que exigem receita de um dermatologista, principalmente para acne.

O plano é ter no Brasil e na China, em cinco anos, centros de pesquisa e desenvolvimento na área de procedimento estético, para tratamentos como os que usam toxina botulínica, produto que ganhou popularidade com a marca Botox, da Allergan. Na Galderma, a marca desta toxina é Dysport. Antunes disse que o Brasil é um dos maiores mercados do mundo em consumo de produtos para saúde da pele, o que justifica a ampliação da capacidade de produção e de pesquisa no país. “No Brasil, a maior parte de nossos produtos, diferenciados e muitos importados, atende às classes A e B. Mas tem também a classe C, enorme no Brasil, que queremos alcançar. Temos aspirações muito grandes em relação a este mercado. O dinheiro no Brasil mudou de mão, como me dizem os dermatologistas brasileiros”.

A Galderma foi criada no Texas (EUA) em 1961 e, desde 1981, era uma joint venture da Nestlé com a L’Oréal. Em fevereiro deste ano, a Nestlé comprou os 50% da companhia francesa na Galderma, assumiu 100% desta, por estimados € 2,7 bilhões. Segundo Antunes, a nova fábrica de Hortolândia (SP) será grande o suficiente para atender o Cone Sul. Em seguida a essa operação ”altamente estratégica”, o grupo suíço anunciou a criação da Nestlé Skin Health (NSH), com a ambição de se tornar o líder global de saúde da pele. A NSH, com seu próprio “board” e gestão executiva, começou com a combinação da Galderma e da Buebchen, uma subsidiária alemã da Nestlé ativa em cosméticos e produtos para bebês, crianças e mulheres grávidas.

No ano passado, as vendas da Galderma alcançaram € 1,653 bilhão e o lucro foi de € 234 milhões (margem de 14,1%). Tem 5 mil funcionários e opera em 80 países. É organizada em três áreas de negócios: produtos que exigem prescrição médica (47%, em comparação a 80% dez anos atrás); produtos que não necessitam de receita (33%) e tratamentos estéticos e corretivos, o que inclui seu próprio “botox” (20%). A ideia é que cada unidade tenha o mesmo peso nos negócios dentro de alguns anos. Analistas não têm dúvidas de que a empresa pode crescer 8% ao ano, o dobro do mercado mundial do setor, nos próximos cinco anos. O mercado de dermatologia pura é estimado em US$ 36 bilhões, dos quais Galderma tem fatia de 5%. Mas o mercado mais amplo de saúde da pele é estimado em US$ 120 bilhões e a empresa quer abocanhar 10%, com mais de US$ 10 bilhões, em menos de dez anos.


SAÚDE DA PELE

Antunes diz que a companhia vai se concentrar 100% na saúde da pele, sem misturar com cosméticos tradicionais. “Beleza puramente dita é outra coisa. Nosso enfoque é a saúde da pele”, afirmou. “Temos uma abordagem muito séria sobre a saúde. Temos mais de 600 cientistas trabalhando só nisso o tempo todo, o ano inteiro”. Um paciente com câncer de pele, por exemplo, pode precisar de um produto para prevenir riscos de muito sol e também de medicamentos para lesões da pele. Em cada etapa do tratamento ou da doença, a Galderma quer oferecer todos esses produtos. “Estamos desenvolvendo nossa estratégia inteira em torno da prevenção”, diz o executivo. “Vai ser um mundo muito melhor se assegurarmos que as pessoas envelheçam de forma saudável, porque podem ficar ativas mais tempo, com maior interação social, maior mobilidade, e melhor autoestima. E se a pessoa ficar doente, vamos tratá-la também”.

Especialistas identificam mais de 3 mil doenças da pele. Cada pessoa é afetada pelo menos uma vez por uma delas em sua vida. Cerca de 6% da população mundial têm psoríase, que causa vermelhidão e irritação, outros 5% têm rosácea, 60% a 80% dos adolescentes têm acne e a cada ano 3,5 milhões de novos casos de câncer de pele são diagnosticados no mundo. Esse mercado é imenso, impulsionado pelos países emergentes, pela demografia (o número de pessoas com mais de 60 anos deve chegar a 1 bilhão em 2020, com demanda três ou quatro vezes maior por produtos dermatológicos), pela urbanização e a crescente conscientização a respeito de saúde e bem-estar, além de gastos maiores na área de saúde nos Estados Unidos, que é o maior mercado do mundo.

A Galderma tem 34 filiais no mundo, e a brasileira é a segunda mais importante, depois dos EUA. O maior uso per capita de produtos médicos dermatológicos da empresa é a Austrália, onde o seguro-saúde paga, por exemplo, os protetores solares. Antunes não esconde o entusiasmo em relação ao Brasil, terceiro mercado mundial, só atrás dos EUA e do Japão. Segundo a consultoria Euromonitor, o mercado dermatológico brasileiro cresceu 9%, para US$ 660 milhões em 2012. A empresa não detalha seu faturamento, mas estima-se que abocanhou parte importante do mercado brasileiro. Segundo o executivo, a nova fábrica de Hortolândia será grande o suficiente para atender o Cone Sul, o que representa um consumo muito grande. Com uma fábrica maior no Brasil, ele ambiciona reduzir o impacto de emissão do gás carbono, reduzir custos de transportes, substituir importações e tornar os produtos mais competitivos. Para mais informações sobre a Galderma, acesse o site www.galderma.com.br

Fonte: Valor Econômico



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