Idum vai tentar impedir reajuste de preços

Pesquisa feita pelo Instituto de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum) mostra que os remédios tiveram aumentos de até 954,79% no período de 1995 a 2005.

Os reajustes superam em muito o aumento do salário-mínimo (250%) e da inflação oficial, medida pelo IPCA, de 197,46 % no mesmo período.

Pelo levantamento, 36 remédios, que estão entre os mais vendidos nas farmácias, tiveram seus preços elevados em até quatro vezes o reajuste do salário-mínimo.

Exemplo: pela tabela com os preços máximos, enviada às farmácias, a caixa de 30 comprimidos do Naprix 30 gramas subiu de R$ 5,22 para R$ 55,06, em 10 anos, um aumento de 954,79%.

Ação

Com base neste levantamento, o Idum entrará com uma representação no Ministério Público Federal para tentar impedir o reajuste de 5,5% nos medicamentos autorizado pelo Governo a partir de 31 de março.

Segundo Antonio Barbosa, coordenador do Idum e integrante do Conselho Federal de Farmácia do Distrito Federal, a redução da carga tributária sobre os medicamentos e a queda do dólar nos últimos meses deveriam provocar uma queda nos preços dos remédios. Mas isso não aconteceu. Barbosa explica que usou apenas remédios de uso liberado ou contínuo para mostrar a diferença no bolso do consumidor.

A pesquisa do Idum foi feita comparando os preços máximos dos produtos nas farmácias, com base na revista da Associação Brasileira do Comércio farmacêutico (Abcfarma).

A Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) contesta a pesquisa e afirma que o preço máximo ao consumidor dos produtos não é cobrado pelas farmácias.

A Febrafarma usa três índices de inflação para mostrar que o preço dos remédios subiu abaixo da inflação de janeiro de 2001 para cá.

“De acordo com o IPCA, os produtos farmacêuticos subiram 43,14% e a inflação geral, 52,12%. Segundo o INPC, os produtos farmacêuticos aumentaram 45,33% e a inflação somou 55,48%, no mesmo período. Se a referência for o IPC, da Fipe, os medicamentos tiveram reajuste de 36,35%, para uma inflação geral de 42,54%”, informa a federação.

Segundo os fabricantes, aumentos de produtos específicos podem ser atribuídos a fatores como a oscilação de preços das matérias-primas no mercado externo. Os preços de medicamentos ficaram sem controle do Governo entre 1998 e 2000.

Fonte: Diário de São Paulo



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