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O futuro do varejo farmacêutico será definido pelas competências e capacidade das empresas de antecipar mudanças, integrar tecnologia e dados, compreender um novo perfil de consumidor e, principalmente, preparar suas equipes para um ambiente de transformação contínua.
Essa é uma das principais reflexões apresentadas por Edison Tamascia, presidente da Febrafar e da Farmarcas, em artigo publicado pelo Panorama Farmacêutico, no qual analisa as quatro competências que considera fundamentais para o desenvolvimento das farmácias nos próximos anos.
Leia o artigo completo no Panorama Farmacêutico
Segundo Tamascia, o varejo farmacêutico atravessa um momento particularmente desafiador porque diferentes transformações acontecem simultaneamente. Reforma tributária, mudanças no comportamento do consumidor, avanço da tecnologia e necessidade de profissionalização das equipes estão alterando a maneira como as farmácias precisam ser administradas.
“Poucas vezes vi tantas mudanças acontecendo simultaneamente e influenciando, ao mesmo tempo, a forma de administrar uma farmácia.”
Para o presidente da Febrafar, esse cenário exige uma mudança de postura dos empresários e gestores. Mais do que reagir às transformações depois que elas acontecem, será necessário desenvolver a capacidade de antecipar movimentos e tomar decisões com base em informação, planejamento e estratégia.
Uma das competências apontadas por Tamascia está relacionada à capacidade de transformar a reforma tributária em uma agenda de gestão.
O executivo chama atenção para o fato de que os impactos não ficarão restritos ao departamento fiscal ou à contabilidade. Questões como precificação, margens, fluxo de caixa, capital de giro e planejamento financeiro também precisarão ser avaliadas sob uma nova lógica.
Nesse cenário, empresas mais organizadas e capazes de transformar informações tributárias em decisões de negócio terão melhores condições de adaptação.
Outra transformação destacada no artigo está relacionada ao comportamento do consumidor.
A jornada de compra deixou de começar necessariamente dentro da farmácia. Antes de decidir, o cliente pode pesquisar preços, consultar avaliações, receber recomendações, utilizar programas de fidelidade e interagir com marcas e empresas por diferentes canais.
Para Tamascia, compreender esse comportamento é essencial para que as farmácias construam experiências mais integradas entre o ambiente físico e o digital.
A competição, portanto, passa a envolver não apenas preço e disponibilidade de produtos, mas também relacionamento, conveniência e experiência.
A terceira competência está ligada à tecnologia. Na avaliação de Tamascia, ferramentas tecnológicas deixaram de ser apenas um diferencial e passaram a representar uma condição básica para competir.
O desafio, porém, não está simplesmente em adquirir novos sistemas. É preciso transformar dados em inteligência para o negócio.
O presidente da Febrafar também destaca a importância do letramento em inteligência artificial, conceito que envolve preparar profissionais de diferentes áreas para compreender e utilizar a IA em suas atividades.
A experiência da própria Febrafar, segundo ele, mostra que essa evolução acontece por etapas, passando pela estruturação de bases de dados e integração de informações até chegar ao uso de inteligência artificial para ampliar a capacidade de análise e tomada de decisão.
Mesmo diante do avanço tecnológico, Tamascia aponta uma quarta competência como fundamental: a profissionalização das equipes.
Ferramentas, sistemas e estratégias somente produzem resultados quando existem pessoas preparadas para utilizá-los e conduzir as mudanças.
Nesse contexto, o executivo destaca o conceito de ambidestria organizacional, que consiste na capacidade de manter a excelência na operação atual enquanto a empresa se prepara para o futuro.
Isso exige novas formas de liderança, com maior atenção ao desenvolvimento profissional, ao aprendizado contínuo e às características das novas gerações que chegam ao mercado de trabalho.
Na avaliação de Edison Tamascia, as quatro competências não devem ser tratadas de maneira isolada. Elas fazem parte de um mesmo processo de transformação.
A reforma tributária demanda novas ferramentas e processos. A tecnologia depende de profissionais preparados. Pessoas capacitadas conseguem utilizar melhor os dados. Os dados ajudam a compreender o consumidor. E o conhecimento sobre o consumidor contribui para decisões comerciais mais eficientes.
É justamente essa integração que, segundo Tamascia, deverá definir a capacidade de adaptação e crescimento das farmácias brasileiras nos próximos anos.
A publicação no Panorama Farmacêutico reforça, assim, a importância de uma visão estratégica para o varejo farmacêutico, em um momento no qual gestão, inovação, tecnologia e desenvolvimento de pessoas passam a caminhar cada vez mais juntos.
Por Edison Tamascia, presidente da Febrafar e da Farmarc
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