16 de setembro de 2026

Encontro Regional da Febrafar reúne redes regionais de ES, RJ, GO e MT para debates e oportunidades de negócios

O varejo farmacêutico regional esteve no centro das discussões do Encontro Regional da Febrafar, realizado nos dias 8, 9 e 10 de setembro, no Edifício do Associativismo, em São Paulo. O evento reuniu representantes de redes associadas do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso em uma programação voltada à análise do mercado, troca de experiências, estratégias de gestão e novas oportunidades para ampliar a competitividade das farmácias.

Participaram do encontro representantes da Adfar, Cityfarma, Drogaria Atual, Drogaria Exata, Drogarias Nossa Rede, Drogarias Ofertão, Farmes Rede de Farmácia, Grupo CB Drogarias, Grupo Conceito Farma, Grupo DC – Gestão Estratégica de Drogarias, Grupo MedShop, Grupo NRdrogarias, Instituto Pulsa Farma, Rede Economize e Unidas Farma.

Além da programação de conteúdo, o encontro contou com importantes reuniões de negócios entre as redes e algumas das principais indústrias do setor farmacêutico. Os encontros permitiram aproximar os empresários das indústrias, discutir oportunidades comerciais e estabelecer condições diferenciadas para as redes participantes, fortalecendo um dos principais pilares do associativismo: ampliar o poder de negociação e criar oportunidades para que as farmácias regionais tenham melhores condições de atuação no mercado.

“A força do associativismo está justamente na possibilidade de reunir empresários, conhecimento, dados e oportunidades em um mesmo ambiente. O encontro regional permite que as redes olhem para o mercado de forma mais estratégica, troquem experiências e também tenham acesso a condições comerciais que individualmente seriam mais difíceis de alcançar”, afirma Edison Tamascia, presidente da Febrafar.

Mercado farmacêutico mantém trajetória de expansão

Durante o encontro, dados da IQVIA apresentados aos participantes mostraram a dimensão do crescimento do mercado farmacêutico brasileiro. Nos 12 meses encerrados em julho de 2026, o setor movimentou R$ 266,3 bilhões, alta de 55,2% em relação ao mesmo período de 2022. No mesmo intervalo, o número de farmácias passou de 90.380 para 94.726, crescimento de 4,8%.

Nos quatro estados representados no encontro, o avanço também foi expressivo. No Rio de Janeiro, o faturamento passou de R$ 18,6 bilhões em 2022 para R$ 25,7 bilhões em 2026. Em Goiás, avançou de R$ 6,4 bilhões para R$ 10,3 bilhões; no Espírito Santo, de R$ 3,5 bilhões para R$ 5,9 bilhões; e em Mato Grosso, de R$ 3 bilhões para R$ 4,6 bilhões.

Os números apresentados durante o evento mostram que o crescimento do mercado cria oportunidades, mas também aumenta a necessidade de profissionalização da gestão, acompanhamento de indicadores, entendimento do comportamento do consumidor e maior eficiência na operação.

Associativismo amplia participação no mercado

Outro destaque da apresentação foi a evolução das farmácias associadas à Febrafar. De acordo com os dados da IQVIA, as associações e franquias ligadas à Febrafar passaram de uma participação de 16,6% do faturamento do mercado em 2022 para 19,4% em 2026.

No período, o faturamento desse grupo cresceu 81,7%, acima da expansão de 55,2% registrada pelo mercado farmacêutico brasileiro. O faturamento médio das farmácias associadas chegou a R$ 219,7 mil no período analisado.

Nos quatro estados representados no encontro, o crescimento do faturamento das farmácias associadas à Febrafar foi de 64,4% no Espírito Santo, 57,6% no Rio de Janeiro, 92,9% em Goiás e 116,5% em Mato Grosso entre 2022 e 2026.

Para a Febrafar, os números reforçam a importância do associativismo como ferramenta para apoiar redes regionais diante de um ambiente de maior concorrência e transformação do consumo.

GLP-1 muda composição do crescimento

Os medicamentos da classe GLP-1 também foram tema de análise durante o encontro. Considerando liraglutida, semaglutida e tirzepatida, esse mercado movimentou R$ 16,6 bilhões no Brasil no período analisado.

A retirada desse segmento da conta reduz o crescimento do varejo farmacêutico brasileiro de 16,1% para 11,4% no comparativo de curto prazo apresentado pela IQVIA. Entre as farmácias associadas à Febrafar, o crescimento passa de 11,9% para 9,9% quando o efeito dos GLP-1 é desconsiderado.

O impacto também aparece na composição do faturamento. Nos estados de Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso, a Curva A reúne apenas 1,1% dos produtos, ou 1.762 itens, mas responde por 50% do faturamento, equivalente a R$ 23,3 bilhões. Entre os produtos de maior faturamento aparecem Mounjaro, Forxiga, Wegovy, Glifage e Ozempic.

A concentração reforça a necessidade de que as redes acompanhem permanentemente o comportamento das categorias e adequem estoque, mix e estratégia comercial às mudanças na demanda.

Fidelização ganha espaço na estratégia das redes

O relacionamento com o consumidor também foi abordado durante o encontro, com destaque para os dados relacionados ao PEC, ferramenta de relacionamento utilizada pelas farmácias associadas.

Na base nacional da Febrafar, as lojas que utilizam o PEC apresentam faturamento médio de R$ 300,7 mil, contra R$ 182,6 mil entre aquelas que não utilizam a ferramenta, uma diferença de 64,7%.

Entre as lojas com faturamento superior a R$ 80 mil no PEC, o faturamento médio chega a R$ 496,6 mil, 172% acima do registrado pelas farmácias sem PEC.

Nos quatro estados da regional, também são observadas diferenças entre os grupos. No Espírito Santo, o faturamento médio das lojas com PEC é 45,8% superior ao das lojas sem PEC. No Rio de Janeiro, a diferença chega a 76,1%; em Goiás, a 79,9%; e em Mato Grosso, a 114,5%.

Os dados não estabelecem, isoladamente, uma relação de causa e efeito, mas indicam uma diferença relevante de desempenho e reforçam a importância de acompanhar indicadores de relacionamento, recorrência e comportamento de compra.

Dados ajudam redes a transformar informação em decisão

A utilização de dados para apoiar a gestão também esteve entre os temas do encontro. A Febrafar apresentou aos participantes informações sobre a Bússola, ferramenta desenvolvida para apoiar a análise de desempenho das lojas.

Em julho de 2026, 66 das 74 redes com acesso à plataforma estavam cadastradas, abrangendo 18.401 das 20.232 lojas com acesso. No total da Febrafar, 748 lojas haviam acessado as análises no período considerado.

Na avaliação da entidade, o desafio das redes não está apenas em ter acesso às informações, mas em transformar os dados em decisões práticas sobre estoque, mix, preços, relacionamento com clientes e operação.

Conteúdo, relacionamento e negócios

Ao reunir as redes regionais em São Paulo, o Encontro Regional da Febrafar buscou integrar três frentes importantes para o desenvolvimento do varejo farmacêutico: conhecimento, relacionamento e negócios.

A programação permitiu aos participantes analisar as principais transformações do mercado e compartilhar experiências de diferentes regiões do país. Ao mesmo tempo, as reuniões com as indústrias ampliaram as possibilidades de negociação e ofereceram às redes participantes acesso a condições comerciais diferenciadas.

“O encontro regional é uma oportunidade para sair da rotina da operação e olhar o negócio de forma mais ampla. Quando reunimos redes de diferentes estados, conseguimos compartilhar experiências, identificar desafios comuns e aproximar essas empresas dos parceiros da cadeia farmacêutica. É uma forma de transformar o associativismo em oportunidades concretas para o empresário”, destaca Edison Tamascia.

A realização do encontro reforça a proposta da Febrafar de oferecer às redes associadas ferramentas, conhecimento e oportunidades para comprar melhor, vender mais e administrar melhor, fortalecendo a atuação das farmácias regionais em um mercado cada vez mais competitivo.

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