31 de março de 2026

Reajuste anual de medicamentos? Entenda os índices definidos do reajuste

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) definiu os percentuais de reajuste anual de medicamentos que estão valendo desde o último dia 31 de março de 2026. Os índices variam entre 1,13% e 3,81%, conforme o grau de concorrência de cada produto.

O percentual máximo ficou abaixo da inflação registrada no ano passado, quando o IPCA fechou em 4,26%, o que coloca o reajuste de 2026 entre os menores índices dos últimos anos.

Medicamentos com maior concorrência poderão aplicar reajuste máximo de 3,81%. Os classificados no Nível 2, com concorrência intermediária, poderão elevar preços em até 2,47%, o menor percentual para essa faixa desde 2018. Já os produtos com menor concorrência poderão ajustar seus valores em até 1,13%.

O aumento não será imediato

Apesar de entrar em vigor em 1º de abril, o aumento não será necessariamente sentido de forma imediata pelos consumidores. Isso porque a CMED estabelece apenas o teto máximo permitido, e não um reajuste automático nos preços praticados nas farmácias.

Nem todas as empresas trabalham com o preço máximo autorizado. Além disso, o repasse ao consumidor dependerá da política comercial de cada farmácia, das negociações com indústria e distribuidoras e do nível de concorrência regional.

Segundo Edison Tamascia, presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar) e da Farmarcas, organização responsável por 11 redes de drogarias associativistas: “Os medicamentos têm uma dinâmica diferente dos demais produtos. O reajuste ocorre apenas uma vez ao ano e o governo define o preço máximo. A partir das negociações com fornecedores e das estratégias comerciais, cada farmácia define sua política de preços.”

Ou seja, o consumidor pode não perceber alteração imediata do reajuste anual de medicamentos, mas é importante se organizar, especialmente em tratamentos de uso contínuo.

Como funciona o reajuste

O reajuste anual de medicamentos segue a metodologia prevista na Lei 10.742/2003 e utiliza a fórmula:

VPP = IPCA + X + Y + Z

Onde:

  • IPCA corresponde à inflação acumulada em 12 meses
  • X é o fator de produtividade da indústria
  • Y representa ajuste entre setores da economia
  • Z corresponde ao ajuste interno do setor

Além da fórmula, há a classificação por nível de competitividade:

  • Nível 1 – maior concorrência: até 3,81%
  • Nível 2 – concorrência intermediária: até 2,47%
  • Nível 3 – menor concorrência: até 1,13%

Algumas categorias, como determinados fitoterápicos, homeopáticos e medicamentos isentos de prescrição com alta concorrência, não seguem essa lógica.

Organização e estratégia para economizar

Mesmo que o impacto não seja imediato, planejamento é essencial. Para Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN), o primeiro passo é entender que o reajuste define apenas o teto e que existe margem para economia.
 

“O consumidor precisa compreender que o preço máximo não é obrigatoriamente o preço praticado. Existe concorrência, existem negociações e existem alternativas”. Entre as orientações destacadas por Reinaldo Domingos estão:
 

  • Pesquisar antes de comprar
    Os preços variam significativamente entre farmácias e até entre unidades da mesma rede. Comparar pode gerar economia relevante ao longo do ano, principalmente para quem utiliza medicamentos contínuos.
  • Avaliar genéricos e similares
    Na maioria dos casos, medicamentos genéricos oferecem a mesma eficácia com valores mais acessíveis. Solicitar ao médico a prescrição pelo princípio ativo amplia as opções de escolha.
  • Planejar compras recorrentes
    Quem faz uso contínuo pode se organizar para acompanhar preços, aproveitar períodos promocionais e evitar compras emergenciais, que normalmente reduzem o poder de negociação.
  • Utilizar programas de benefícios
    Programas de fidelidade das farmácias, descontos de laboratórios e o Programa Farmácia Popular do Brasil podem reduzir significativamente o custo final.
  • Evitar compras por impulso
    Farmácias também são ambientes de consumo. Ter clareza sobre o que realmente precisa comprar ajuda a não comprometer o orçamento com itens não planejados.

O reajuste autorizado para 2026 está entre os menores da última década. Ainda assim, informação, pesquisa e organização continuam sendo as principais ferramentas para preservar o orçamento familia

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