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A Febrafar realizou, nos dias 22, 23 e 24, em sua sede, no Edifício do Associativismo, em São Paulo, a Regional Nordeste, iniciativa que reuniu representantes de nove redes associativistas para analisar o cenário do varejo farmacêutico, compartilhar estratégias e ampliar as oportunidades de negócios entre as farmácias e a indústria.
Participaram do encontro representantes da Augefarma, Coopefarma, Farmácias Conviva, Farmácias Santa Branca, Farmácias Zé do Bairro, Multmais, Rede Boa Farma, The Farma e Unifarma.
A programação teve início com uma apresentação do diretor-geral da Febrafar, José Abud Neto, que apresentou um panorama do mercado farmacêutico nos estados da região e trouxe informações sobre evolução de faturamento, participação de mercado, comportamento dos consumidores, categorias de produtos e oportunidades para as redes.
A análise teve como base dados da IQVIA e considerou o período MAT julho de 2022 a MAT julho de 2026. No Brasil, o varejo farmacêutico alcançou faturamento de R$ 266,3 bilhões no período, crescimento de 55,2% em relação a 2022. Dentro desse cenário, as farmácias associadas à Febrafar registraram crescimento de 81,7% no faturamento no período, enquanto o número de lojas da entidade avançou 10,4%.
Nos cinco estados analisados na Regional Nordeste, o desempenho também chamou a atenção. A Bahia registrou crescimento de 58,7% no faturamento das farmácias Febrafar entre 2022 e 2026, enquanto o Ceará avançou 59,3%, a Paraíba 66,2%, o Rio Grande do Norte 71,0% e Sergipe 67,3%. Os dados mostram a expansão do associativismo na região e ajudam as redes a identificar oportunidades a partir das características específicas de cada mercado.
Durante a apresentação, Neto também chamou a atenção para mudanças no perfil do consumo e para categorias que vêm ganhando relevância no varejo. Um dos pontos analisados foi o impacto dos medicamentos da classe GLP-1, como semaglutida, tirzepatida e liraglutida.
Segundo os dados apresentados, o mercado farmacêutico brasileiro movimentou R$ 266,3 bilhões no MAT julho de 2026. Quando retirado o mercado de GLP-1, o crescimento do varejo no período passa de 16,1% para 11,4% no recorte apresentado, evidenciando o peso que essa categoria passou a ter na evolução recente do setor.
Outro destaque foi a concentração das vendas em um número relativamente pequeno de produtos. Nos estados da Bahia, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe, foram analisados 126.891 produtos, com 1.514 itens representando a Curva A. Esse grupo respondeu por R$ 16,1 bilhões, ou 50% do faturamento total de R$ 32,2 bilhões considerado no levantamento.
O recorte mostra ainda a importância crescente de determinadas categorias e produtos para a composição dos resultados das farmácias, oferecendo às redes informações para avaliar mix, estoque, negociação e exposição dos itens nas lojas.
Outro ponto apresentado por Neto foi o impacto da fidelização dos consumidores sobre o faturamento médio das farmácias. No conjunto das farmácias Febrafar no Brasil, as lojas que utilizam o PEC apresentaram faturamento médio de R$ 300,7 mil, contra R$ 182,6 mil entre aquelas sem PEC, uma diferença de 64,7%. Quando considerado o grupo de lojas com faturamento superior a R$ 80 mil no PEC, o faturamento médio chegou a R$ 496,6 mil, 172% acima do registrado pelas lojas sem PEC.
Nos estados nordestinos analisados, também foram identificadas diferenças importantes. Na Bahia, por exemplo, o faturamento médio das lojas com PEC foi 42,5% superior ao das unidades sem PEC. No Ceará, a diferença chegou a 36,1%; na Paraíba, a 140,7%; no Rio Grande do Norte, a 11,1%; e em Sergipe, a 63,5%.
Os números foram utilizados na apresentação para provocar uma reflexão entre os participantes sobre a necessidade de transformar dados em ações práticas de gestão, relacionamento e fidelização.
Após a apresentação dos dados, o encontro contou com uma dinâmica conduzida com a intermediação dos diretores da Febrafar. A proposta foi estimular o conhecimento das ferramentas oferecidas pela Febrafar, permitindo a troca de experiências e a discussão sobre os desafios enfrentados no dia a dia do varejo farmacêutico.
Depois a programação avançou para reuniões de negócios entre as redes participantes e representantes da indústria. As agendas possibilitaram que os participantes conhecessem produtos, condições comerciais e possibilidades de parceria, ao mesmo tempo em que as empresas puderam compreender melhor as necessidades e características das redes nordestinas.
A aproximação direta favoreceu a identificação de oportunidades comerciais e abriu espaço para negociações mais alinhadas às necessidades das farmácias.
O formato também reforça um dos pilares do associativismo: transformar a escala e a organização coletiva em melhores condições para que as farmácias possam negociar, administrar e desenvolver seus negócios.
Ao reunir dados de mercado, discussão estratégica, troca de experiências e relacionamento comercial em uma mesma agenda, a Regional Nordeste mostrou a importância de aproximar informação e prática para apoiar a evolução das redes.
A programação permitiu que os participantes saíssem de uma análise ampla do mercado para discussões diretamente relacionadas ao cotidiano das farmácias, passando por categorias de produtos, comportamento do consumidor, fidelização, gestão e oportunidades comerciais.
O encerramento da apresentação do Neto deixou também uma provocação para as redes: diante de um mercado em transformação e cada vez mais orientado por dados, se as farmácias precisam evoluir, como cada rede vai liderar essa evolução?
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