Boato não é fato. Afinal, contra fatos não há argumentos!

A temporada de boato está solta no segmento farmacêutico. Não que isto seja uma novidade, afinal boatos sempre existiram. Mas a dimensão que os boatos têm tomado em nosso setor vai muito além do habitual.

Sempre que há oportunidade, digo aos meus amigos e, sobretudo, aos dirigentes das redes associadas à Febrafar que, para melhor compreensão do que verdadeiramente ocorre, é extremamente fundamental saber distinguir as informações que lhes são apresentadas, pois pode tratar-se de um simples boato, uma opinião própria ou um fato concreto.

De acordo com o nosso dicionário, boato é uma novidade que circula na boca do povo sem origem que a autentique; opinião é uma maneira particular de pensar sobre um assunto; e fato é uma ação, algo realizado, o que é verdadeiro. Se prestarmos atenção, verificaremos que os boatos têm sempre uma conotação negativista, sendo, acima de tudo, relacionados a uma grande ameaça. Afinal, somos sistematicamente abordados com notícias do tipo:

  • “A rede X está sendo vendida para um grande grupo internacional e isso vai redefinir o modelo concorrencial do mercado”;
  • “A distribuidora Y está sendo vendida e quem vai comprar é a distribuidora Z”;
  • “A Anvisa já definiu que os antiinflamatórios serão os próximos medicamentos a serem controlados”;
  • “Os medicamentos similares serão simbolizados com a sigla ‘EQ’ em suas embalagens”;
  • “Os distribuidores estão dizendo que as entregas nas farmácias não serão mais diárias”; entre inúmeras outras.

Ou seja, se eu ficar aqui descrevendo todos os boatos que têm circulado em nosso meio, nos últimos tempos, certamente precisaria de centenas de páginas para relacioná-los. Mas é correto afirmar que todas as manchetes acima mencionadas são apenas boatos. Ainda que algum boato possa tornar-se fato um dia, enquanto isto não ocorre definitivamente não vale a pena perdermos um segundo do nosso precioso tempo discutindo-o, nem tampouco nos contaminando por esse tipo de informação que, a bem da verdade, só nos levará do nada pra lugar nenhum.

Já a opinião, contudo, é livre. Cada um de nós possui o direito de ter uma visão sob quaisquer aspectos com relação a uma informação. E não existe opinião certa ou errada, até porque cada indivíduo tem o livre arbítrio para pensar o que quiser sobre um determinado assunto.

Exemplo: eu posso opinar que o ingresso das empresas multinacionais no varejo farmacêutico brasileiro em nada alterará o processo concorrencial existente hoje no comércio nacional. Outras pessoas podem, livremente, acreditarem o contrário. No entanto, não dá para dizer assertivamente quem está certo e quem está errado, pois opinião é apenas a transmissão de um pensamento, de uma visão que a pessoa tem sobre um assunto.

Agora, fato é algo verídico. E contra fatos não há argumentos. Um bom exemplo de fato incontestável é que vivemos tempos de profunda bonança no mercado farmacêutico. Temos experimentado um crescimento sensacional, como pode ser visto no gráfico a seguir:

Também é fato que dificilmente encontraremos essa mesma pujança em outro segmento. Portanto, as oportunidades são enormes. Mas, por outro lado, podemos afirmar que, por vivermos esse momento tão especial em nosso mercado, a concorrência é cada vez maior e mais preparada. Então, se quisermos manter o alto nível de competitividade, é preciso que estejamos sempre atualizados.

Não tenho dúvidas de que uma das melhores formas de nos atualizarmos são as feiras do setor – que nos dão a oportunidade de nos mantermos a par da realidade e das tendências do setor.

Edison Tamascia é empresário do varejo farmacêutico há 40 anos. Atualmente, preside a Febrafar (Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias) e a Rede Drogarias Ultra Popular, além de atuar também como Consultor de Varejo e Articulista das principais publicações do setor.



Deixe uma resposta