28 de maio de 2026

Pesquisa inédita mostra que consumidor em farmácias está mais digital, mais sênior e mais exigente 

A transformação do comportamento do consumidor brasileiro nas farmácias está redesenhando o varejo farmacêutico nacional. É o que revela a Pesquisa de Comportamento do Consumidor em Farmácias 2026, realizada pelo IFEPEC (Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa), com apoio do Instituto Axxus e do NEIT da UNICAMP.

O levantamento ouviu 4 mil consumidores em todas as regiões do país e identificou mudanças importantes na jornada de compra, na relação com os canais digitais, no perfil etário dos consumidores e nas demandas por serviços de apoio dentro das farmácias.

Segundo o presidente da Febrafar, Edison Tamascia, o estudo confirma que o setor vive uma transição estrutural. “A farmácia deixou de ser apenas um ponto de venda de medicamentos e se consolidou como um centro de conveniência, relacionamento e serviços em saúde. O consumidor está mais conectado, mais exigente e busca soluções que combinem agilidade, confiança e suporte no cuidado diário”, afirma.

WhatsApp ganha protagonismo nas vendas

A pesquisa aponta que, embora a compra presencial continue predominante, os canais digitais avançam rapidamente no setor farmacêutico. Hoje, 16,6% dos consumidores já realizam compras não presenciais, e o WhatsApp se tornou o principal canal remoto utilizado.

Segundo o levantamento, 13,3% dos entrevistados utilizam o aplicativo como principal meio de compra, índice que mais do que dobrou em relação à edição anterior da pesquisa.

Para Edison Tamascia, o crescimento demonstra que o varejo farmacêutico desenvolveu um modelo híbrido de atendimento. “O WhatsApp passou a funcionar como uma extensão do balcão da farmácia. O consumidor quer conveniência digital, mas sem abrir mão da interação humana e da confiança construída no atendimento”, destaca.

Consumidor idoso ganha importância estratégica

A pesquisa também evidencia o envelhecimento progressivo do público consumidor das farmácias. Entre os entrevistados acima de 60 anos, 72% afirmam utilizar mais de três medicamentos contínuos por dia.

O estudo revela ainda desafios importantes enfrentados por esse público no dia a dia, especialmente em relação ao uso correto dos medicamentos. As principais dificuldades apontadas foram:

  • ler bulas e embalagens;
  • lembrar horários dos medicamentos;
  • abrir embalagens e manusear comprimidos.

Além disso, 65,6% dos consumidores idosos demonstraram interesse em serviços de apoio oferecidos pelas farmácias, como organizadores de medicamentos e sistemas de lembrete.

“O envelhecimento da população brasileira vai mudar profundamente o papel das farmácias nos próximos anos. O setor terá cada vez mais responsabilidade no suporte ao paciente, principalmente no acompanhamento do uso correto dos medicamentos”, afirma Tamascia.

Farmacêutico ainda é pouco acionado

Mesmo diante das dificuldades relatadas pelos consumidores, a pesquisa mostra que a interação com o farmacêutico ainda é limitada. Entre os consumidores acima de 60 anos, mais da metade afirma que nunca tira dúvidas com esse profissional.

Na avaliação da Febrafar, o dado revela espaço para fortalecimento da atuação clínica e consultiva das farmácias. “Existe uma grande oportunidade para ampliar o papel do farmacêutico como agente de orientação e cuidado. O consumidor valoriza atendimento qualificado, especialmente em um cenário de maior complexidade nos tratamentos”, explica o presidente da entidade.

Prescrição médica segue como principal influência

O levantamento mostra também que a indicação médica continua sendo decisiva na jornada de compra de medicamentos. Em 72,8% das compras realizadas, houve influência total ou parcial de prescrição médica.

Segundo Edison Tamascia, isso demonstra que, apesar da digitalização e da maior autonomia do consumidor na pesquisa de informações, a decisão terapêutica continua baseada na orientação clínica. “O médico segue sendo o principal direcionador do tratamento. A farmácia entra como elo fundamental para garantir acesso, orientação e continuidade da terapia”, ressalta.

Sensibilidade financeira impacta consumo

A pesquisa também identificou aumento das dificuldades financeiras relacionadas à compra de medicamentos. Atualmente, 12,6% dos consumidores afirmam não conseguir comprar todos os itens desejados por questões econômicas, percentual superior ao observado nos levantamentos anteriores.

Além disso, o estudo aponta crescimento consistente da busca por medicamentos genéricos, que passaram de 27,6% das cestas de compra em 2021 para 32,1% em 2026.

“O consumidor está mais atento ao equilíbrio entre qualidade, acesso e custo. Isso reforça a importância de estratégias que ampliem a acessibilidade aos tratamentos sem comprometer a experiência de compra”, avalia Tamascia.

Fidelização e relacionamento avançam

Outro destaque do levantamento é o crescimento da adesão aos programas de fidelidade, que já alcançam 64,5% dos consumidores brasileiros. Para a Febrafar, o avanço demonstra maturidade crescente das estratégias de relacionamento do varejo farmacêutico, embora ainda existam diferenças regionais importantes na adesão aos programas.

Transformação do varejo farmacêutico

De acordo com a pesquisa, o varejo farmacêutico brasileiro vive atualmente três grandes movimentos estruturais:

  • digitalização gradual da jornada de compra;
  • envelhecimento do consumidor;
  • maior busca por conveniência e serviços.

“O futuro das farmácias estará cada vez mais ligado à capacidade de integrar tecnologia, relacionamento e cuidado em saúde. Quem conseguir entregar essa combinação terá maior relevância no mercado”, conclui Edison Tamascia.

Os interessados podem acessar gratuitamente a pesquisa completa pelo portal do IFEPEC: Pesquisa de Comportamento do Consumidor em Farmácias 2026.

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